Niterói tem recorde de casos de Covid; segunda onda pode ter chegado antes da vacina

Semana tem 1.341 casos confirmados, 20 mortos e recorde de internações no SUS, números semelhantes ao do pico da pandemia Na mesma semana em que Niterói recebeu a notícia de que a Prefeitura fez um acordo com o Instituto Butantan para a compra da vacina contra a Covid, a cidade registrou alguns dos piores números da série histórica: foram 1.341 novos casos confirmados da doença em sete dias, um patamar que não foi atingido em nenhum momento da pandemia, e 20 mortes. As internações na rede do SUS somam 148 pacientes, o maior número desde o início da crise. Desde o aumento dos casos da doença, a partir de novembro, epidemiologistas discutem se o Brasil vive uma segunda onda da doença, ou apenas oscilações dentro do "platô" elevado de novos casos, mortes e internações em que a doença se estabilizou desde agosto. Os números da última semana, a quinquagésima semana epidemiológica, talvez façam ganhar força a existência de uma segunda onda. O registro de novos casos saltou de uma média em torno de 500 por semana para 826, na quadragésima-oitava semana, e agora 1.341. Número de casos, segundo boletins da Prefeitura: maior taxa da série histórica De acordo com o último boletim epidemiológico divulgado pela Prefeitura, neste sábado, 12, na quinquagésima semana epidemiológica, Niterói tem 19.139 casos confirmados de Covid desde o início da doença e 559 mortos. A Prefeitura não divulga o quadro com a evolução da doença, desde que o casos começaram a aumentar em maio. Desde então, o A Seguir Niterói organiza os dados divulgados por semana epidemiológica, de acordo com o padrão da Organização Mundial de Saúde, e que serve de base para a análise da evolução da doença. Os epidemiologistas trabalham desta forma para evitar distorções de dados isolados e enxergar a tendência da doença, se está crescendo, se está estável ou diminuindo. Na última reunião do Gabinete de Crise, o Prefeito Rodrigo Neves admitiu que a tendência de aumento. Na ocasião, disse que doença saltou de um patamar de 40 a 50 casos por dia para 100, 110 casos em novembro. Quando disse isso, Niterói já registrava quase 200 casos por dia. Na sexta-feira, 11, foram 230. Na média, nesta última semana, foram 191 por dia. O número de mortes também segue escalada parecida, desde novembro. Depois de praticamente três meses estabilizado num patamar em torno de 13 óbitos semanais, chegou a 16 falecimentos na semana última semana de novembro e a 20 mortes, nos últimos sete dias. Uma diferença que se verifica em Niterói com relação ao primeiro pico da doença é que o número de mortes, até agora, tem sido mais baixo do que na primeira onda - como tem acontecido em todo o pais. Nos dados divulgados pela Prefeitura por notificação da doença, Niterói chegou a ter 28 mortos, naquele período. Nos dados corrigidos pela Secretaria de Saúde, que aparecem no Painel Covid do SIGeo, e classificam as mortes por data de ocorrência e não pela notificação, o número de mortes, naquele momento foi muito maior, chegou a 58 em uma semana. Número de mortes, de acordo com boletins da Prefeitura: 20 óbitos da última semana Outro indicador que preocupa é o número de internações, que fez dobrar a ocupação dos hospitais com doentes de Covid no último mês. No boletim deste sábado, a Prefeitura aponta a existência de 148 pessoas na rede do SUS. É o maior número desde o início da doença. O mais alto até então foi registrado no pico da doença, apenas, e na semana anterior, a quadragésima-nona semana epidemiológica. Estes dados, no entanto, são parciais. Os hospitais da rede privada também reportam a existência de mais 440 pessoas internadas em leitos ou UTIs. No caso dos leitos, a ocupação na semana passada chegava a 86%. Nos últimos dias, médicos relataram que os hospitais da rede privada estão reorganizando seus serviços de atendimento para oferecer mais leitos exclusivos para pacientes com Covid. Número de internações, pico por semana, segundo os boletins da Prefeitura: 148 pacientes em leitos e UTIs no SUS no último sábado A Prefeitura faz, ainda, o acompanhamento dos indicadores numa planilha que determina o grau de risco da cidade em relação à doença. Estes números nem sempre coincidem com os números divulgados diariamente pelo Prefeito. O relatório foi publicado neste sábado, na página da Prefeitura, com data de 10 de dezembro. Pelos dados apresentados, Niterói permanece em estágio de Alerta Máximo Amarelo- 2, com 7,63 pontos. Na semana anterior, a pontuação era de 7,18. Apesar da diferença em relação aos números exibidos nos boletins diários, aparecem no relatório 817 novos casos, o que confirma a tendência de alta que já aparecia na semana anterior com 756 confirmações. O número de mortes que aparece no documento é 12, abaixo das 20 apontadas nos boletins diários. A Secretaria de Saúde jamais esclareceu a discrepância destes números, apesar das seguidas consultas do A Seguir Niterói. Mas a ocupação dos leitos e UTIs das redes pública e privada fizeram piorar a nota da cidade e o risco para os moradores. A evolução destes dados nas próximas semanas poderá dizer, finalmente, aos cientistas, se o Brasil entrou ou não na segunda onda da Covid, como acontece nos Estados Unidos e na Europa.

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