Nova edição do Interculturalidades, do Centro de Artes UFF, será totalmente virtual

Com programação online e gratuita, movimento acontece entre 7 e 18 de outubro por Lívia Figueiredo Projeto Interculturalidades celebra 50 anos do Movimento Armorial / Foto: Reprodução O Centro de Artes UFF realiza, entre os dias 7 e 18 de outubro, no seu canal do Youtube, o 10º Interculturalidades - Movimento Armorial 50 Anos, que conta com mesas de debates, lives artísticas, exposições, mostras de cinema e apresentações musicais inspiradas no movimento lançado por Ariano Suassuna. Serão 12 dias de intensa programação online e gratuita, com imersão em uma jornada de arte, de experimentações e leituras dramatizadas de peças teatrais que possibilitam novas visões e repertórios. Um dos projetos mais importantes da UFF, o Interculturalidades se reinventa em uma edição totalmente online e convida o público a pensar e debater as novas reflexões desse Brasil que dialoga com as artes populares, nas matrizes ameríndias, negras e ibéricas, de forma a decifrar os signos do Armorial. Com base em elementos da cultura popular, o movimento Armorial tem como ideia central a criação de uma arte erudita a partir de elementos populares. Com início em 1970, no Departamento de Extensão Cultural da Universidade Federal de Pernambuco, ele tinha como um dos seus propósitos pensar uma produção artística brasileira própria e inovadora, seguindo um processo de comunicação com as bases estéticas e culturais do país. A celebração dos 50 anos do Movimento Armorial tem como proposta explorar as tradições, memórias e os encantos da cultura popular. Para o superintendente do Centro de Artes UFF, Leonardo Guelman, o objetivo do evento não é apenas recordar uma experiência, mas projetar, sobre o cenário político cultural extremamente achatado e empobrecido no Brasil, a expressão viva da multiplicidade da cultura, calcada na afirmação das diferenças e no reconhecimento profundo das marcas e contradições que compõem este país. - A proposta do movimento Armorial tem antecedentes que têm relação direta com essa pesquisa aproximada das tradições e das matrizes estéticas e culturais da arte popular. O movimento também está relacionado com os emblemas, como se eles representassem o estandarte do povo. A ideia é traduzir esse movimento num projeto de uma arte erudita, em todos os seus meios de expressão, como pintura, música, dança, artes visuais e literatura – explica Leonardo. Um dos destaques da programação, o ator Luiz Carlos Vasconcelos encarna o seu famoso palhaço Xuxu, em leitura de trechos do “Auto da Compadecida”. O evento também conta com a participação da atriz Letícia Sabatella, que irá compartilhar um pouco da sua experiência no cinema com os índios brincantes e palhaços da etnia krahô. No teatro, destaque para a mesa “A construção da dramaturgia Armorial” e a “Homenagem aos 65 anos do Auto da Compadecida”, com as participações do ator e diretor Amir Haddad e do ator Matheus Nachtergaele. Também serão apresentadas leituras dramáticas como “As Conchambranças de Quaderna”, da Cia Omondé, sob a direção de Inez Viana, e “Torturas de um coração”, da Cia Casa Verde, dirigido por Alexandre Damascena – duas peças de autoria de Suassuna. Na arte da gravura, a participação de um dos mais célebres xilógrafos do país, J. Borges, falando de seu Dom Quixote em cordel. No campo da música, Antônio Madureira, o pesquisador Francisco Andrade e o músico e compositor Sérgio Ferraz dividirão a mesa “A criação na música Armorial”. Participam ainda os pesquisadores Sérgio Barza e Marília Paula dos Santos, abordando as heranças da música Armorial. Ainda na programação musical vale conferir as apresentações dos vídeos mosaicos do Grupo de Música Antiga, do Quarteto de Cordas da UFF e da Orquestra Sinfônica Nacional, além dos shows do Grupo Gesta e do Duo Ana de Oliveira e Sérgio Ferraz. O evento também conta com a exposição Das Pedras e dos Reinos, sob a curadoria de Alan Adi. A mostra estabelece um diálogo contemporâneo com a riqueza visual da produção Armorial, desdobrando a concepção das “Ilumiaras”, termo criado por Suassuna em referência aos santuários de pedra em consagração ao povo brasileiro, cujo tema também será debatido em mesa e filme no evento. A exposição será transmitida utilizando recursos de áudio-descrição, libras e linguagem simples. O Movimento Armorial completa meio século de existência com uma contribuição inegável para a cultura brasileira, materializada em obras de arte de grande valor e difundidas por diversos campos da arte, como literatura, teatro, dança, música, pintura, escultura, entre outros. A importância de celebrar esse movimento reside na sua permanência viva e atual em servir de inspiração para diversos artistas por todo o país. Segundo o superintendente do Centro de Artes UFF, o projeto de Interculturalidades integra a campanha “A arte nos une”, criado pela Universidade, cujo objetivo é conectar públicos de lugares diferentes. - Se por um lado a pandemia nos priva da relação presencial, ela deixa um legado quanto à necessidade de se pensar a cultura de forma ampla. A ideia é de transbordar fronteiras a partir de um tema tão rico como o Armorial. O projeto ressalta a importância do fortalecimento das expressões culturais brasileiras e das tradições vivas, que estão sendo praticadas e que, de alguma forma, falam da nossa identidade – conclui Leonardo.

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