O contágio em família

Enfermeira e marido tiveram Covid-19 Enfermeira Erica Paiva Erica Paiva é enfermeira no CHN (Complexo Hospitalar de Niterói). Foi diagnosticada com A Covid-19 em 20 de abril. O resultado positivo do teste deixou toda a família apreensiva. Ela é casada e tem uma filha de 6 anos. A mãe é de grupo de risco. Tudo isso tornava o isolamento mais difícil. Mas Erica se diz dedicada à profissão e que sabia dos riscos que corria: - Circulo muito pelo hospital. Sou bem engajada e não consigo só observar as coisas acontecerem; quero estar na linha de frente sempre. Por isso, infelizmente, acabei me infectando. Para a enfermeira, a parte mais difícil foi se afastar da família: - Assim que tive os primeiros sintomas, antes mesmo de fazer o teste, pedi que minha mãe ficasse temporariamente com minha filha. Dentro de casa, eu ficava mais tempo isolada e utilizava máscara quando precisava sair do quarto. Separamos nossos objetos de uso pessoal e reforçamos a higienização e o arejamento da casa. Apesar da medidas preventivas e dos cuidados, o marido de Erica acabou sendo infectado pouco tempo depois: - No caso dele, foi um pouco mais grave. Como tive sintomas brandos, não precisei recorrer ao hospital. Já ele teve falta de ar e precisou passar dois dias no CTI. Hoje já está recuperado e fazendo fisioterapia respiratória. E ela, depois de 14 dias afastada, voltou ao trabalho: - Já retornei à ação. Está no meu sangue. O cansaço é grande, mas ver a situação dos nossos colegas da enfermagem nos motiva muito e nos faz perceber que precisamos estar no lugar deles. Sempre fui muito empática, mas a pandemia trouxe uma nova perspectiva de empatia e solidariedade. Se eles não podem, eu preciso poder por eles. Ela lembra que, nesta Semana da Enfermagem, que acaba nesta quarta-feira (20), ficou clara a importância do papel do enfermeiro e do técnico em enfermagem, além do trabalho em conjunto com o médico. - Neste ano, comemoramos os 200 anos de nascimento de Florence Nightingale, que ficou conhecida como ‘a mãe da enfermagem’. Por causa da pandemia da Covid-19, é a primeira vez, em meus 18 anos de casa, que não podemos confraternizar no hospital. No entanto, a dedicação dos colegas e o valor simbólico da semana, neste momento, nos dão ainda mais força e coragem para enfrentarmos juntos o cenário atual. É como uma catarse.

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