Pandemia não assusta lojistas interessados no Mercado de Niterói

Comerciantes esperam definição dos preços das lojas para estudar viabilidade Por Carolina Ribeiro Novo Mercado Municipal está prometido para o aniversário de Niterói, em novembro. Foto: Reprodução A expectativa para o lançamento era grande. Os detalhes de como conseguir um espaço no Novo Mercado Municipal, no Centro, estavam sendo tratados com sigilo até esta quinta-feira (13), quando o projeto comercial foi apresentado à população. Mas os valores para a locação, que vão depender do tamanho de cada loja, não foram divulgados. Com isso, agora empreendedores e produtores de diferentes setores aguardam a chegada de setembro para negociarem um espaço, que pode ter entre 8 e 140 metros quadrados. Todos querem um lugar no mercado. Devido à diversidade de produtos, empreendedores de vários segmentos aguardam as reuniões com o consórcio a fim de fechar negócio. Mas estão curiosos sobre os valores para locação das lojas e quiosques. O investimento necessário não foi divulgado e será passado durante as negociações, informou a representante do grupo, Sofia Avny. Quem já se inscreveu no site do mercado começará a ser chamado a partir de 1 de setembro. Vicente Maia é um dos empreendedores que buscam um lugar por lá. Chef de cozinha, dono de buffet para festas e eventos, também ensina gastronomia a iniciantes e ainda é coordenador dos cursos de Gastronomia na Uni Lasalle. Está cheio de ideias para um novo negócio no mercado, mas quer saber os valores para investir em algo. - Estamos esperando ver de quanto será o investimento e se vai se tornar algo viável. Tenho várias ideias, mas antes quero entender as metragens exatas das lojas, os preços e as possibilidades de negócios. É um projeto fenomenal, vai alavancar a cidade, que já tem um forte turismo de gastronomia - acredita. Mercados municipais são o seu ponto turístico preferido quando viaja. Com experiências na Itália, diz que o projeto de Niterói é muito parecido com as unidades de Florença e Pádua. E a referência para o empreendimento é mesmo do exterior, mas se depender da Prefeitura e dos organizadores, Niterói vai superar os demais mercados. - Tenho certeza que o Mercado será vendido rapidamente, pois a procura é muito grande. Será o melhor Mercado Municipal do mundo - disse, entusiasmado, o Secretário Municipal de Desenvolvimento Econômico, Luiz Paulino Moreira Leite No mezanino fica o espaço para a diversidade da gastronomia Foto: Divulgação Beto Caveari é sócio e proprietário dos estabelecimentos Boteco Confraria, Salve Simpatia, Armazém São Jorge, Risoteria Caveari, Ossos Carnes e Burger e o Salve Simpatia Porto. Ele é um dos empresários que estava curioso para saber como seria a operação do mercado e participou da apresentação nesta quinta no Solar do Jambeiro, no Ingá. - Achei o projeto de muito bom gosto. Eu tinha restrição no início com a questão da área da gastronomia ser separada do varejo, mas entendi a justificativa de que é para que os restaurantes funcionem por mais tempo, achei bem inteligente, apesar de ainda preferir que a alimentação fosse no térreo - comentou. Ele diz que vai observar se os demais empresários da gastronomia de Niterói vão embarcar no projeto, pois se sentirá mais seguro em investir também. Mas completa que, pelos comentários que tem ouvido de colegas, todos estão animados, “somente se o valor for muito fora da realidade é que não vão participar”. - Quem gosta de empreender, sonha. Tenho vontade de montar um novo negócio no local, mas também de ter uma pequena filial do Confraria ou do Salve Simpatia por lá. O mercado vai ser um cartão de visitas da cidade, quem for vai ser convidado a conhecer os restaurantes como um todo - opinou, ponderando que será preciso um trabalho forte da prefeitura em divulgação e atração de turistas para a cidade. - Temos muitas praias e lindas construções, mas o turista passa por Niterói, é muito rápido. Se fizer um bom trabalho, para que consumam em Niterói, aí acredito na viabilidade do mercado… se funcionar de segunda a segunda sem turista será uma dificuldade - analisa. Fachada histórica do Mercado Municipal foi preservada. Foto: Divulgação Nascido e criado em Niterói, Marinho Neiva investe há 40 anos em negócios na cidade. Está animadíssimo com o novo empreendimento e já pensa em como se adequar ao padrão. Ele, que é do ramo de produtos eletrônicos - segmento não contemplado pelo mercado -, quer abrir uma loja de importação de vinhos, cervejas e itens de degustação. Ele já se inscreveu no site e aguarda ser chamado pela gestão do empreendimento para apresentar suas ideias. - Sempre gostei muito dessa área de importação. É muito bacana, as pessoas também gostam. Acredito que o mercado será um sucesso, vai impulsionar todo o entorno, e espero que alavanque a economia local. Infelizmente o momento da inauguração nos pegou desprevenidos devido à pandemia, mas estou ansioso para saber mais - afirmou. No térreo do empreendimento na Avenida Feliciano Sodré, no Centro, ficarão as lojas de varejo, com produtos como legumes, verduras, carnes, frutos do mar e queijos. A gastronomia terá um espaço reservado no mezanino, para restaurantes, cervejarias e cozinha experimental. Um prédio anexo ainda dará lugar a floriculturas. Tudo com curadoria da equipe do consórcio Novo Mercado Municipal, que administra o mercado através de uma PPP (Parceria Público Privada). O lançamento do empreendimento também traz à tona uma expectativa de revitalização urbanística para todo o entorno, o que já vem atraindo construtoras e imobiliárias para empreendimentos residenciais na região. Mas não é só do lado de fora. Bruno Serpa Pinto, CEO da Spin Inovações Imobiliárias, diz que já está em busca das condições para conseguir um espaço por lá. A ideia surgiu pelo entendimento de que a população está buscando o diferente, buscando novas perspectivas de moradia depois da pandemia. - Queremos ter um estande de venda para proporcionar uma experiência diferente ao cliente, com um ambiente de alimentação e clima agradável, para que ele possa consumir também o mercado imobiliário - adianta, completando que a veia turística do empreendimento também é um atrativo. - Vai ser um equipamento de alto padrão para a região e terá um fluxo grande de pessoas de Niterói e do Rio. O outro viés são os visitantes de fora, é uma forma de apresentar a cidade para quem não é daqui - finalizou.

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