Parece que há dois lados na pandemia, diz técnico de laboratório

Há quem se preocupe e quem parece não acreditar na gravidade da Covid Por Silvia Fonseca Márcio coleta sangue de uma cliente no apartamento dela, em Icaraí Às 5h da manhã Márcio da Costa Paiva Júnior, de 29 anos, já está de pé para ir trabalhar. É técnico de laboratório, mora em Alcântara, São Gonçalo, e trabalha em Icaraí. Também costuma coletar material para exames na casa de pacientes na Região Oceânica. Vai de moto, e carrega hoje, na pandemia, um medo maior e muito mais equipamentos de proteção individual (EPIs) para evitar a contaminação pelo coronavírus. Põe máscara, põe jaleco, luvas, gorros, proteção para o sapato, cuidados redobrados a cada casa que chega para coletar material para exames e levar para o laboratório Morales, na unidade de Icaraí que está funcionando na pandemia. - Há muitas pessoas idosas e doentes que precisam fazer exames e não estão podendo sair de casa. Em todos os casos tenho ainda mais atenção em tudo o que faço, para não me expor e não expor o paciente, usando todos os EPIs necessários - conta Márcio. Com um filho pequeno, que fica com a mulher em Alcântara quando ele vai trabalhar, Márcio faz questão de elogiar o laboratório por fornecer todos os EPIs para realizar seu trabalho com segurança, mas não esconde a preocupação de ver tanta gente nas ruas e até em bares, apesar das recomendações das autoridades sanitárias para que quem pode fique em casa. - Parece que há dois lados: as pessoas que estão preocupadas querendo se proteger e as outras que não estão acreditando na gravidade da Covid-19. Isso incomoda um pouco, porque não adianta uns fazerem e outros não. A rotina dele, que mesmo durante a pandemia trabalha na rua, na casa de outras pessoas e no laboratório para ajudar a conter a expansão do vírus e outras doenças, é dura. O caminho de casa ao trabalho é longo, e Márcio ainda costuma fazer horas extras para aumentar a renda. Chega em casa tarde e acorda cedo no dia seguinte, sobrando pouco tempo para ficar com a mulher e, especialmente, com o filho. Por isso, profissionais como Márcio, entrevistados pelo A Seguir: Niterói na série Nit-heróis, se sentem tão preocupados quando veem tanta gente nas ruas. Nesta terça-feira (16/6), o índice de isolamento social em Niterói era de apenas 46,3%, quando o ideal é 70%.

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