Plano de retomada da atividade econômica

Prefeitura de Niterói apresentou principais ações para gerar emprego e renda O prefeito Rodrigo Neves reuniu secretários para anunciar plano em live no Solar do Jambeiro. Foto: Reprodução live Um desafio enorme. Fazer a economia de Niterói voltar a funcionar depois de 120 dias de pandemia. “A nossa convicção é de que a prioridade é salvar vidas, mas também precisamos retomar a economia”, destacou o prefeito Rodrigo Neves em Reunião no Solar do Jambeiro para anunciar o plano de retomada da economia. O plano desenvolvido pela secretária de Fazenda Giovanna Victer, se baseia em cinco pilares: crédito para empresas, programa de moradias populares, investimento em tecnologia, inauguração do mercado do produtor e ações do Pólo Mar, para desenvolvimento da atividade marítima, da pesca e do setor de óleo e gás. Conheça os detalhes do projeto: Empresas terão financiamento para voltar a produzir A Prefeitura de Niterói anunciou nesta quarta-feira (15) programa de financiamento para pequenas e médias empresas terem capital de giro, depois de 120 dias paradas durante a pandemia, para retomar as suas atividades, mantendo empregos e gerando renda. A linha de crédito aberta com recursos próprios poderá beneficiar mais de mil empresas. A maioria das empresas de Niterói precisou fechar as portas por quase quatro meses. Neste período, a prefeitura desenvolveu o projeto Niterói Supera, que previa o empréstimo por meio do Banco do Brasil a empresários da cidade com o custo zero. Já foram empenhados, segundo a secretária Giovanna Victer, R$ 16 milhões para 209 empresas. Mas o projeto não teve a celeridade e capacidade de empréstimos desejadas, criando-se, então, o Niterói Supera Mais. Neste programa, a prefeitura contrata uma agência financeira para intermediar o empréstimo de recursos públicos. - O Banco do Brasil é muito burocrático, mas nenhum outro banco se interessou em participar do Niterói Supera. Ou escolhíamos o Banco do Brasil ou não conseguiriamos nenhum. O banco não conseguiu suprir o projeto, eles começaram a atender empresas com faturamento maior do que R$ 1 milhão, dando prioridade para quem já era cliente. E não era isso que queríamos. Por isso, resolvemos dar atenção para as empresas com faturamento de até 1 milhão por ano - explicou Giovanna. O programa entra em vigor na próxima segunda-feira (20). A Agência Estadual de Fomento do Rio de Janeiro (AgeRio) vai realizar a concessão de empréstimos com recursos próprios do município para micro e pequenas empresas da cidade com faturamento anual de até R$ 1 milhão. Serão realizadas operações de crédito de R$ 20 mil a R$ 80 mil, com carência de 10 meses. Empresas de setores que ficaram mais tempo com as atividades paralisadas por causa da pandemia, como restaurantes, lanchonetes e academias, terão prioridade. Não será preciso fazer uma nova inscrição, pois será utilizada a base de cadastros do programa Niterói Supera. - No Supera Mais quem criou as regras de empréstimo foi o governo, com toda a responsabilidade, porque é recurso público. Quem já se inscreveu para o Niterói Supera vai receber um e-mail solicitando que envie a documentação para a Fazenda, vamos checar e depois enviar para a AgeRio. A prioridade será para quem já estava inscrito no Supera, quando todos conseguirem, aí abrimos mais vagas para quem ainda não estava inscrito. PoloMar vai criar empregos na indústria naval e pesqueira Canal de São Lourenço: dragagem cria avenida para a indústria naval, segundo Givanna Victer. Foto: Leonardo Simplício/Prefeitura Uma vocação para o mar. Essa é a essência do plano de ativação da atividade marítima, que pretende estimular as indústrias naval, pesqueira e de óleo e gás, o Polo Mar, que o Prefeito Rodrigo Neves anuncia com um dos pilares do programa de retomada da economia de Niterói. A dragagem do Canal de São Lourenço, que será contratada no próximos meses, é um dos projetos mais importantes do plano de retomada da economia de Niterói. Já era antes da pandemia, e se torna mais importante ainda depois da paralisação das atividades durante tanto tempo. A secretária Giovanna Victer ressaltou em entrevista ao A Seguir Niterói, no mês passado, que a atividade naval tem a capacidade de gerar empregos e renda para a cidade, como poucas. “O investimento feito na dragagem do canal, se paga, facilmente, em seis anos de operação”, assegura. O problema do desemprego não é novo, e a busca de um investimento capaz de ativar a economia está entre as prioridades do governo. “A crise econômica se agravou na pandemia, em novembro já eram 12 milhões de desempregados”, lembrou a secretária. Neste sentido, o Poder Público passou a estudar quais são os setores indutores de Niterói, isto é, aqueles capazes de criar “novas riquezas e gerar prosperidade, não só para o seu nicho, mas para vários outros em volta”. O setor naval é um deles, assim como o setor de saúde e inovação. O estudo feito analisou dados de resiliência de empregos, salário médio das vagas e como o emprego reage aos períodos de crise. Mas Niterói e o entorno acabou perdendo muitos pontos de trabalho em função do declínio do setor naval e é isso que a prefeitura busca retomar ao realizar a obra de dragagem do Canal de São Lourenço. - Lançamos o PoloMar Niterói, que é um plano de desenvolvimento para a frente marítima da cidade. O setor naval, de construção de embarcações, é apenas uma vertente, mas temos outras áreas fortes como de serviço off shore, reparos, condicionamento… toda essa parte de serviço de óleo e gás para as plataformas que estão instaladas na Bacia de Santos - disse Giovanna Victer. O projeto do Polo Mar, anunciado em novembro, depende da dragagem do Canal de São Lourenço. A responsabilidade era do Governo Federal, mas devido à falta de iniciativa, a prefeitura pagou pelo estudo de viabilidade da dragagem, o relatório de Impacto Ambiental (EIA/RIMA), que foi aprovado pelo Instituto Estadual do Ambiente (Inea), e vai financiar a obra, orçadas em R$ 100 milhões. - O canal está muito assoreado, raso. E os navios que fazem serviços para plataformas de petróleo são muito grandes porque vão para o alto mar, tem um calado mais profundo. Mas a obra também é fundamental, não só para o acesso dos navios, mas pela questão ambiental - ressaltou. Obra vai aumentar a circulação hídrica na Ilha da Conceição, construir uma ponte para acessar o bairro e aumentar a profundidade do canal de 5 para 11 metros, permitindo a entrada de grandes embarcações na Frente Marítima de Niterói. Para o projeto, a prefeitura vai investir os recursos dos royalties de petróleo. Por serem recursos finitos, a ideia é utilizar esse montante que será reduzido nos próximos anos em projetos que vão possibilitar um grande retorno como capacidade econômica para a cidade no futuro. - Temos que imaginar, enquanto prefeitura, que a dragagem do canal é como se fosse um bairro com armazéns instalados, bem localizados, mas que estivesse abandonado. O que a prefeitura poderia fazer? Levar infraestrutura para o lugar e é exatamente isso que vamos fazer. Fizemos um programa robusto e estamos seguros de que o investimento para dragar o Canal de São Lourenço vai voltar rapidamente para cidade - sentenciou. Desenvolvido com a participação do presidente da Niterói Negócios, Marcelo Haddad, e com o apoio do economista Mauro Osório, o PoloMar Niterói mapeou oportunidades e desafios do setor para o atual cenário econômico. Entre as suas premissas estão a geração de empregos e prosperidade para o município, a revitalização do polo logístico, industrial e de serviços da frente marítima da Baía de Guanabara e a construção de um legado econômico indutor de desenvolvimento, com adensamento produtivo, promoção de negócios e atração de novos fornecedores. Além da dragagem, o projeto prevê a criação de programas de qualificação técnica, a promoção comercial para atração de fornecedores, editais para o desenvolvimento de tecnologias para o setor marítimo, portuário, pesqueiro e de óleo e gás, a requalificação urbana, de infraestrutura e dos acessos à Ilha da Conceição, e a implementação do terminal pesqueiro. Em evento recente, O secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Luiz Paulino, destacou que a dragagem do Canal de São Lourenço vai ajudar na retomada do setor pesqueiro e inclui o Mercado Municipal Feliciano Sodré entre as obras importantes da administração para o desenvolvimento econômico de Niterói. - Temos três projetos que são prioritários: o Mercado Municipal, a dragagem do canal de São Lourenço e o terminal pesqueiro. São projetos aguardados há muitos anos pelo niteroiense e estão na mesma região da cidade. A dragagem do canal vai possibilitar, além da retomada do setor naval, que barcos de pesca de grande porte cheguem ao terminal pesqueiro. Investimentos em moradia nas comunidades O plano de retomada da economia que a Prefeitura prepara para ativar setores vitais da cidade, que sofreram com a paralisação de quase 120 dias na pandemia, contempla algumas comunidades da cidade, com investimentos e financiamento de projetos locais. O objetivo deste pilar do plano é incentivar a indústria da construção civil, especialmente empresas de pequeno porte do município, e melhorar a qualidade habitacional da população da cidade, gerando emprego e renda dentro das comunidades. O plano, inspirado em um projeto de Salvador, na Bahia, prevê a reurbanização de comunidades, com melhorias de acessos, entre outros. Além disso, está prevista a escolha de alguns moradores, de áreas mais precárias, para receber um valor para investir na casa. O projeto piloto será na Vila Ipiranga, no Fonseca. - Sabemos que Niterói já tem serviços de saneamento, um dos melhores do Rio, com tratamento de esgoto e água. Agora, precisamos ligar algumas residências e oferecer melhorias. Tem casas em Niterói que nao tem banheiro, não tem reboco, não tem esquadria… vamos escolher uma área da comunidade para que cada dono escolha onde quer investir, além de naturalmente, fazer as melhorias do entorno - adiantou a secretária de Fazenda, Giovanna Victer. Novo mercado será ponto de encontro do produtor do Estado Uma aposta no poder de Niterói atrair negócios e investimentos do interior do Estado, como acontecia quando era capital do Estado do Rio de Janeiro. Essa é a ideia por trás do investimento da Prefeitura na construção do novo mercado municipal, agora um dos pilares do plano de retomada da economia, depois da Covid. Niterói abrigou um famoso Mercado Municipal entre 1930 e 1976 no Centro. Depois de 30 anos sem utilização e já abandonado, o antigo edifício da Avenida Feliciano Sodré voltou a receber obras. Já municipalizado, será o Novo Mercado Municipal de Niterói por meio de Parceria Público Privada (PPP). A primeira fase das obras já foi concluída e a previsão é que o espaço seja entregue à população no aniversário da cidade, em novembro. A ideia é que o local se transforme em um dos principais espaços gastronômicos, de cultura, lazer e turismo do Estado do Rio de Janeiro. - Era um sonho tirar o projeto do Mercado Municipal do papel. A gente imagina aquele lugar como uma referência para o Estado do Rio. Queremos trazer para Niterói tudo aquilo que a gente vai para a Serra ou para outras regiões buscar, um lugar para vender flor de Friburgo, doces de Petrópolis, com as nossas cervejas artesanais, com uma vila cervejeira. Um lugar para passar um dia - diz Giovanna Victer. A partir de agosto o projeto será detalhado ao público e será aberto o período para locação das 180 lojas. Em setembro, concluída a reforma do prédio principal e a requalificação do entorno, feitas pela prefeitura, a obra deverá ser finalizada em outubro. Mas a Secretária lembra: o espaco nao vai funcionar como um Mercadão estilo Cadeg, no Rio, e nem tão sofisticado como o Eataly, em São Paulo. - Serão produtos relacionados a alimentação, restaurantes, lojas de orgânico, flores, perfumes, velas, mas não terá lojas de eletrônico ou roupas - ressalta, finalizando que o trabalho é um sonho. - Na administração pública, mais difícil do que sonhar é conseguir transformar o sonho em realidade, encaixar os detalhes planejados no mundo do direito público, que é um direito muito limitador por se tratar de recursos públicos. É um desafio muito grande conseguir fazer o enquadramento da vida real com aquilo que a gente pode fazer com recursos públicos e temos conseguido fazer - diz a Secretária de Fazenda. R$ 6 milhões para apoiar empresas de tecnologia e inovação Secretária de Fazenda, Giovanna Victer, comanda plano de retomada econômica de Niterói O projeto é fruto de um convênio com a UFF. A prefeitura vai lançar um edital de R$ 6 milhões em agosto para apoiar espaços de cowork e startups. A ideia é que ocorra em setembro uma semana de Ideação, uma das etapas da busca por métodos inovadores para o desenvolvimento de produtos e projetos. Na ocasião, serão levantadas ideais para serem desenvolvidas por startups dentro de empresas já existentes em Niterói. - Vamos abrigar essas startups dentro de empresas da cidade pagando bolsas para que eles trabalhem juntos. As startups vão ser incubadas nas empresas e a prefeitura vai arcar com as bolsas, com a consultoria para o desenvolvimento de produtos e de processos dentro das empresas - detalhou. A previsão é que o projeto final chegue a 30 startups, mas 80 serão escolhidas para serem abrigadas por empresas. - Se beneficiam as startups, que tem um ambiente e podem apresentar depois como portfólio, e as empresas que vão utilizar esse capital humano da startup para alavancar os negócios, utilizar mão de obra, além da consultoria que vai ser prestada - analisou, completando que inovar não é só ter a ideia, mas conseguir produzir. Leia também a crônica "A cidade que reabre", de Luiz Claudio Latgé.

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