Polícia investiga se morte de diretor do Hospital Alberto Torres foi assalto ou execução

Bandidos mataram José Didimo do Espírito Santo, policial federal aposentado, no Caramujo O diretor-executivo do Hospital Estadual Alberto Torres, o policial federal aposentado José Didimo do Espírito Santo, de 59 anos, foi morto em troca de tiros ao reagir à ação de bandidos no Caramujo, em Niterói, no fim da noite deste domingo (4). A Delegacia de Homicídios da cidade investiga se foi assalto ou execução. Professor do Departamento de Segurança Pública da UFF, Lenin dos Santos diz que, apesar de a sensação durante a pandemia ser de redução das taxas de violência, casos como o assassinato do diretor do hospital provocam uma repercussão grande e acabam mostrando as carências nas investigações policiais no Estado do Rio. O especialista lembra que a taxa de elucidação dos crimes no Estado do Rio é muito baixa. De maneira geral, ela fica em torno de 21%. Já a elucidação de homicídios é de apenas 17,9%, percentual muito baixo para a gravidade do crime e se comparado com outros países. - De maneira geral, esse é um típico caso que repercute, muito embora se tenha a ideia que estamos vivendo uma retração da violência. Crimes como esse chamam atenção para determinadas entidades e um problema muito grave. Há uma carência muito grande para as investigações. As nossas polícias não estão preparadas para lidar com a elucidação dos casos que são ordinários – conclui o especialista em Segurança Pública da UFF. Ele lembrou o caso da vereadora Marielle Franco, assassinada junto com o motorista em março de 2018 e até hoje não totalmente elucidado. - A estrutura da investigação, que é fundamental para a promoção da justiça, acaba caindo pelo gargalo. O caso da Marielle, por exemplo, teve uma grande repercussão nacional e internacional. Foi um crime elucidado em parte. Dentro dos limites estabelecidos, a polícia descobriu a autoria dos disparos, mas ainda não foi possível elucidar as motivações por trás do crime. No entanto, as características do assassinato, as informações prévias e o fato de a câmera ter sido desligada nos dão indícios da natureza do crime - afirma o especialista. Diretor reagiu à ação dos bandidos O hospital estadual do qual José Didimo era diretor fica em São Gonçalo, mas investigadores já apuraram que ele não voltava da unidade quando seu carro foi cercado. O que se saber é que ele estava indo para sua casa, em Santa Rosa, Niterói, quando ocorreu o crime. O celular do diretor foi apreendido e uma testemunha do crime já foi ouvida. Imagens de câmeras na região poderão ajudar na identificação dos criminosos. O diretor foi baleado ao reagir à ação de quatro homens que estavam em um Voyage e cercaram o carro dele na Rodovia Amaral Peixoto, no Caramujo. Segundo testemunhas, os homens desceram apontando as armas. José Didimo reagiu e acabou morto. Os homens fugiram sem levar nada. Os bombeiros foram chamados, mas encontraram o diretor sem vida. O Portal dos Procurados divulgou um cartaz no início da tarde desta segunda-feira (5) oferecendo recompensa de R$ 5 mil por informações sobre as pessoas que participaram do ataque ao diretor da unidade de saúde. A polícia já sabe que o carro onde estava o diretor foi fechado por um Voyage, onde estavam quatro homens. Em nota, a Polícia Federal lamentou a morte do policial aposentado.

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