Prefeitura de Niterói só vai reabrir comércio se Covid-19 recuar

Comitê quer medir efeito do feriadão e se preocupa com trânsito entre Niterói, Rio e São Gonçalo Por Carolina Ribeiro A evolução da Covid-19 nesta semana será determinante para a decisão de alterar ou não o estágio de Niterói do laranja para o amarelo nível 2, que permite maior flexibilização do isolamento social e a reabertura de parte do comércio na cidade. A previsão é que os dados da doença sejam analisados até sábado para que as mudanças ocorram a partir de segunda-feira (22). Ainda não é possível determinar se o pico da doença já passou no município. Mesmo que o município apresente um crescimento de casos menos acelerado do que as cidades do entorno, a grande ligação entre Niterói, São Gonçalo e o Rio de Janeiro é um alerta máximo para Niterói. Isso porque nos municípios vizinhos houve uma reabertura do comércio e a flexibilização do isolamento na semana passada, apesar de os casos não estarem controlados ainda. - A proximidade é um risco muito grande. A população de Niterói trabalha no Rio e a de São Gonçalo trabalha em Niterói. É um alerta máximo para Niterói. Tem que observar até o fim da semana como vão se comportar os dados para definir a situação da cidade - diz Aluísio Gomes da Silva Junior, membro do Comitê Consultivo da prefeitura e diretor do Instituto de Saúde Coletiva da UFF. Para o professor da UFF, a decisão da prefeitura de antecipar os feriados do segundo semestre para esta semana, segunda e terça, além da restrição de circulação nas praias oceânicas, pode ser uma forma de controlar a transmissão do vírus em Niterói, principalmente depois da reabertura de São Gonçalo e do Rio. De acordo com o especialista, a cidade foi a única da Região Metropolitana a ter oferta de número de leitos suficiente para enfrentar a doença. - Não é possível separar a cidade de seu entorno. O município teve medidas de restrições mais severas e está colhendo frutos disso, pois tem a curva mais achatada da região. Embora o número de casos continue aumentando, a proporção em que aumenta em Niterói é diferente das cidades do entorno. Mas ainda não estamos tranquilos de que agora chegou ao achatamento e que vai cair o número de casos. Ninguém pode afirmar isso ainda - alerta o especialista. O comitê consultivo, com integrantes da UFF, da UFRJ e da Fiocruz, está analisando a diminuição dos casos graves da doença tanto em Niterói como no Rio de Janeiro. Na cidade, a ocupação dos leitos públicos e privados está abaixo de 50%, mesmo nos leitos de UTI. - Há menos casos graves da doença, mas ainda continuam acontecendo. Pode ser ainda apenas uma onda e depois acontecer novos casos - finaliza, ressaltando que é preciso manter o isolamento social. O monitoramento da epidemia é feito com base na avaliação dos indicadores de propagação do vírus e de capacidade de atendimento do sistema de saúde. A média inclui a velocidade do avanço do coronavírus, a taxa de pacientes internados em leitos clínicos e em leitos de UTI, novos casos e a mortalidade, além do número de ocupação dos leitos. Semanalmente, a situação do município é classificada para que a divulgação dos resultados e das possíveis mudanças ocorra aos sábados. As novas regras passam a valer na segunda-feira seguinte. O sistema de estágios é dividido por cores e níveis. A cor roxa significa altíssimo risco, a vermelha é situação grave, com restrição máxima para a circulação de pessoas e o funcionamento do comércio. O estágio atual, laranja, é de atenção máxima e permite a flexibilização de abertura de parte dos estabelecimentos. A cor amarela tem dois estágios: alerta e alerta máximo, que permitem ainda mais comércios abertos e com capacidade ampliada. Verde, só quando houver vacina contra a Covid-19.

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