Professores cobram mais debate sobre volta às aulas em Niterói

Conselho de Educação aprovou protocolos para a retomada, mas não há data marcada Por Carolina Ribeiro UMEI Rosalda Paim, no Centro, tem capacidade para atender até 150 crianças de dois a cinco anos e 11 meses. O Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação (Sepe) de Niterói, que reúne os profissionais da rede pública, votou contra a aprovação do documento "Diretrizes para protocolo de retorno às aulas presenciais", aprovado esta semana pelo Conselho Municipal de Educação (CME). O Sepe divulgou texto em que protesta contra a retomada das aulas presenciais, ainda sem data marcada. Os professores dizem que propuseram o adiamento da votação do CME devido à pouca divulgação dos protocolos e à não participação dos profissionais de educação na elaboração das medidas, mas não foi aceito pelo restante do conselho. O CME de Niterói aprovou os protocolos de segurança sanitários e as orientações pedagógicas para as instituições de Educação Infantil (pública e privada) e de Ensino Fundamental da rede municipal esta semana. Mas a Prefeitura não divulgou os protocolos, que devem ser encaminhados para análise do Ministério Público. O retorno às aulas presenciais não vai acontecer antes de setembro, mas o Poder Público já se organiza para a retomada. - Não coube alternativa senão nos posicionar contra a deliberação. Sem apresentar nenhuma consideração ao texto, sob pena de conferir-lhe uma legitimidade que ele não tem, a representação do Sepe Niterói se manteve em silêncio durante as cinco horas de reunião. Consideramos totalmente contraditório deliberar sobre o futuro da educação em Niterói, no contexto de uma pandemia, ou seja, deliberar protocolos sobre a vida de milhares de pessoas, sem um diálogo democrático, com calma e seriedade. Votações às pressas sobre assuntos tão graves não são legítimas - diz texto divulgado pelo sindicato. O Sepe critica ainda o fato de ter havido ”pressa para aprovar as diretrizes” sem ter uma data definida para o retorno. E diz que, “se o governo determinar o retorno precipitado às aulas presenciais”, a categoria pode decretar greve. - Conhecemos de perto as condições arquitetônicas das escolas, que não garantem o cumprimento de normas de distanciamento físico. O que podemos observar é que protocolos discutidos às pressas não servem para a realidade que temos atualmente em nossas escolas”, encerra o texto. De acordo com o Sepe Niterói, a representação do sindicato no CME foi nomeada uma semana antes da reunião e a minuta de documento só teria sido enviada aos conselheiros meia hora antes do encontro virtual. O Sepe afirma ainda que a Prefeitura não recebe a entidade para o diálogo. Prefeitura diz que prazos foram cumpridos A Prefeitura, no entanto, diz que o documento final foi encaminhado dia 17 de julho para análise de todos os conselheiros. “Reiteramos que os trâmites foram rigorosamente cumpridos e manifestamos nosso repúdio às calúnias apresentadas em relação ao processo de construção das diretrizes, o qual contou, como é tradição desta Casa, com lisura e transparência”, finaliza a nota da prefeitura. O Ministério Público não se manifestou se já recebeu os protocolos. As medidas também não foram divulgadas. Participaram 17 conselheiros que representam a Faculdade de Educação da Universidade Federal Fluminense, sindicatos dos professores, sindicatos dos profissionais das escolas particulares e dos profissionais da rede pública, além da Prefeitura. Entre os participantes estava a Secretária de Educação, Flávia Monteiro, que é presidente do conselho.

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