Profissionais de saúde mortos no Antônio Pedro são homenageados

Funcionários pedem testagem mais eficiente e equipamentos de proteção Por Carolina Ribeiro O Hospital Universitário Antônio Pedro (Huap). Foto: Divulgação Profissionais de saúde do Hospital Universitário Antônio Pedro (Huap), no Centro de Niterói, realizaram um pequeno ato na porta da unidade na manhã da última sexta-feira (3/7). O manifesto homenageou os colegas que faleceram em decorrência do Covid-19, mas também fez cobranças por melhores condições de trabalho. Entre as reivindicações, Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) de qualidade e testes de Covid periódicos para os funcionários devido ao alto índice de contaminação. A Comissão de Saúde da Câmara de Vereadores também já havia recomendado testes periódicos para os funcionários. O ato foi simbólico. Contou com a participação de funcionários que iam iniciar o plantão e outros colegas da luta. Homenagearam as cinco profissionais mulheres que faleceram em decorrência do vírus, Inês Procópio, Luciana Roberto, Nadir Cabral, Eva Conceição e Neuza Inês, mas também cobraram. Desde o início da pandemia, o Huap oferece a testagem de Covid-19 para os profissionais no formato drive-thru, pela porta lateral da unidade e dentro do carro. Porém, o profissional precisa apresentar sintomas. Os trabalhadores reclamam, no entanto, que nem todos os funcionários têm carro e que alguns podem estar contaminados e assintomáticos. Ato simbólico dos profissionais de saúde. Foto: Reprodução redes sociais Outra questão é sobre os equipamentos necessários para o trabalho na pandemia. Eles pedem que sejam ofertados mais EPIs e de qualidade superior, devido aos riscos no trabalho. Muitos profissionais da unidade já se contaminaram. Coordenador geral do Sindicato dos Trabalhadores em Educação da UFF (Sintuff), Pedro Rosa explica que também é pedido o pagamento de adicional de insalubridade em risco máximo - Durante a pandemia muitos sindicatos estão solicitando mais Epis com mais qualidade porque é nítido o risco máximo do trabalho. Hoje uma parcela recebe 10% de adicional de risco médio e outros não recebem nada. Porém, o índice de contaminação é altíssimo, além de mortes, nestes ambientes. O próprio setor de perícia da UFF reconheceu esse risco máximo e autorizou o aumento em alguns setores. No entanto, deixou de fora muita gente que está na linha de frente - afirmou. Em maio, o Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro (Cremerj) realizou uma inspeção no Huap. O relatório apontou que, até meados do mês, 31 médicos já haviam sido infectados por Covid-19 na unidade, mas 55 foram afastados por síndrome gripal. Dados dos demais profissionais não foram divulgados. Em relação aos EPIs, o Cremerj constatou que, principalmente máscaras cirúrgicas e capote/avental descartável, estavam com estoque crítico, concluindo que, naquela data, “não podia-se garantir que estão sendo cumpridas às recomendações de proteção a segurança e à saúde dos profissionais médicos”. Procurado, o Cremerj não respondeu se realizou novas vistorias na unidade ou se os problemas foram sanados. No fim de abril, o vereador Paulo Eduardo Gomes (Psol), como presidente da Comissão de Saúde e Bem-Estar Social da Câmara de Vereadores, encaminhou um ofício ao Huap sobre a testagem dos profissionais em veículos. Na ocasião, o texto deixou claro que a medida não contemplava todos os trabalhadores da linha de frente, pois eles estavam suscetíveis à doença, mas poderiam ser assintomáticos. Portanto, um risco aos colegas e à população em geral. - Desde março temos cobrado medidas mais enérgicas e eficazes do Huap, que é o mais importante hospital referência para média e alta complexidade em nossa cidade. Mas, infelizmente, a Ebserh não garantiu a eficiência necessária nem para o atendimento da população e nem para o conjunto dos trabalhadores. Além da disponibilização de pouquíssimos leitos, a testagem não alcançou todos os trabalhadores e recebemos denúncias de que maqueiros e outros profissionais não receberam EPIs necessários para garantir a segurança do seu trabalho - disse o vereador. Resposta Em nota, a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), que administra o Hospital Universitário Antônio Pedro (Huap), negou que haja falta de EPIs na unidade e afirmou que o hospital não teve qualquer tipo de problema com os equipamentos até o momento. Informou ainda que os EPIs estão sendo fornecidos conforme orientações do Ministério da Saúde e da Vigilância Sanitária, com acompanhamento da Comissão de Controle de Infecção Hospitalar, em número suficiente para a segurança dos colaboradores e atendimento dos pacientes. Em relação aos testes, ressaltou que, desde o fim de março, são realizadas testagens de Covid-19 nos profissionais e que, atualmente, qualquer colaborador do Huap pode fazer o teste caso tenha algum sintoma gripal. O profissional liga para a unidade, responde a algumas perguntas e deixa agendado para a realização do teste na unidade, feito no formato drive-thru para evitar o contato com o hospital e com outras pessoas que se encontram no local. A nota reforçou ainda que o Huap tem implementado o Plano de Contingência para enfrentamento à Covid-19 na unidade, o qual tem sido atualizado conforme determinações das autoridades de saúde. “A segurança de colaboradores e de pacientes é prioridade em nossa instituição, e as medidas de proteção têm sido rigorosamente cumpridas”, encerra o texto.

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