Programa pioneiro reduz casos de dengue e chikungunya em Niterói

Uso de mosquitos para combater contágio de doenças pelo Aedes Aegypti dá resultados A técnica chama a atenção, até para quem tem mais familiaridade com a ciência: soltar mosquitos para combater mosquitos. Mas foi esta a proposta do World Mosquito Program, conduzido no Brasil pela Fiocruz e que foi adotada em Niterói. Foram soltos mosquitos com a bactéria Wolbachia, chamados de “Wolbito”, que combatem a dengue, zika e chikungunya através de método inovador, que utiliza bactéria para reduzir a capacidade do Aedes aegypti de transmitir doenças, reduzindo sua infestação. O projeto adotado em países como Índia, Austrália e Colômbia, começou em 2015, em Jurujuba, ainda numa escala piloto, mas depois foi ampliado, em 2016, para 33 bairros várias regiões da cidade. Também foi adotado em 2017 na cidade do Rio de Janeiro. E os resultados apareceram. Este ano, houve uma redução de 75% dos casos de chikungunya. Em 2018, Niterói teve 2.887 casos de chikungunya. Esse número recuou para 301 casos em 2019 e caiu para 63 casos registrados até agosto deste ano. Os números da dengue também recuaram significativamente nos últimos anos. Foi de 1.652 casos em 2018, caiu para 356 em 2019 e este ano, até aqui, o registro foi de 83 casos. Quando se fala em zika, o número de casos em 2018 foi de 344, em 2019, a exemplo dos outros índices, houve um recuo para 88 casos e este ano, até agosto, foram registrados 9 casos. Os dados são da Secretaria Municipal de Saúde. - O método utilizado é natural, seguro e sem qualquer risco para as pessoas, os animais e o meio ambiente. A bactéria bloqueia o vírus dentro do mosquito, não permitindo que ele contamine os humanos através da picada. O projeto também é autossustentável, já que os descendentes do Aedes já nascem com a Wolbachia -, explica o secretário de Saúde, Rodrigo Oliveira. A técnica é inovadora, autossustentável e complementar às demais ações de prevenção ao mosquito. A Wolbachia é uma bactéria intracelular que, quando presente nos mosquitos, impede que os vírus da dengue, zika e chikungunya se desenvolvam dentro destes insetos. Não há qualquer modificação genética, nem da bactéria, nem do mosquito. A Wolbachia está naturalmente presente na maioria dos insetos, mas não é encontrada nos mosquitos Aedes aegypti. Em Niterói a ação já cobre 90% do território. Estudo da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) concluiu a avaliação do uso da Wolbachia em Niterói. Análise do Grupo de Avaliação Externa de Novas Tecnologias da OPAS, realizada em março deste ano, apontou redução de 75% nos casos de chikungunya devido ao uso de mosquitos com Wolbachia na cidade. O número permaneceu o mesmo em novo monitoramento feito em junho, reforçando o resultado. Os dados são preliminares e relacionados apenas à chikungunya porque, neste ano, houve baixo registro de circulação dos vírus da dengue e zika no município. A manutenção dos mosquitos com a bactéria foi outro ponto importante analisado pelo grupo de avaliação externa da OPAS, que identificou diferença nos níveis de estabelecimento da Wolbachia na cidade, exigindo liberações adicionais de mosquitos.

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