Protesto no Hospital Antônio Pedro

Profissionais da saúde prestam homenagem a enfermeiros e médica mortos no combate ao Covid Eles lutam diariamente pela vida, a dos outros e as suas. Mas também estão morrendo por contaminação pelo Covid-19. De luto, trabalhadores do Hospital Universitário Antonio Pedro (Huap) fizeram um ato nesta terça-feira, Dia Internacional dos Enfermeiros, em homenagem a três enfermeiros da unidade que morreram de Covid e em defesa da categoria. O Presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Educação da Universidade Federal Fluminense (Sintuff), Pedro Rosa, reclamou da falta de transparência do hospital. ー O número de contaminação é alto, mas o hospital não divulga um boletim sobre os funcionários que estão sendo infectados e nem os que faleceram. Sabemos de três mortes, duas enfermeiras e uma médica da UFF, mas pode haver mais, já que não temos acesso aos dados dos funcionários terceirizados ー explicou. Ainda de acordo com Pedro Rosa, o número de equipamentos de proteção individual distribuídos pela direção do hospital não foi suficiente para todos os trabalhadores e faltam testes para os profissionais que se sentem mal. ー Está uma sobrecarga gigantesca de trabalho, muitos estão entrando de licença por ficarem infectados e a universidade não substitui esses trabalhadores. Quem continua trabalhando está sobrecarregado ー ressaltou. O ato homenageou as três vítimas confirmadas que morreram em decorrência do Covid-19, Maria Ignez Marques Procópio, Luciana Roberto de Souza e Célia Bastos Pereira. Servidores portavam cruzes com reivindicações como testagem para todos, defesa do SUS e EPIs para todos. Cerca de 300 protetores faciais serão distribuídos para os trabalhadores. No dia 1º, a UFF publicou em seu site notas de pesar pelo falecimento da técnica de enfermagem Luciana Roberto de Souza, que trabalhava no hospital, e da auxiliar de enfermagem Maria Ignez Marques Procópio, que estava há 40 anos na unidade. Desde então, a universidade não publicou notas sobre falecimentos. Já no dia 8, a Sociedade de Radiologia do Rio de Janeiro lamentou o falecimento da médica radiologista e professora Célia Bastos Pereira. Respostas O Hospital Universitário Antônio Pedro (Huap) não respondeu sobre seus funcionários infectados ou que morreram em decorrência a Covid-19, limitando-se a informar que os balanços são passados pela Secretaria Estadual de Saúde para que se evite duplicidade de dados. Ainda em nota, o Huap ressaltou que desde o início da pandemia tem trabalhado para disponibilizar “o melhor ambiente de trabalho para todos os profissionais que atuam no enfrentamento à doença”. Dentre as ações destacadas, a nota informa que o hospital disponibiliza, “em quantidade suficiente e seguindo as normas e orientações técnicas do Ministério da Saúde”, máscaras de proteção, óculos de proteção com protetor facial, capote impermeável e álcool em gel. Além disso, o Huap ressaltou que as áreas de grande circulação do hospital foram sanitizadas e que realizou um drive-thru para diagnosticar profissionais de saúde do hospital suspeitos de infecção por coronavírus, assim como forneceu treinamentos de de paramentação e desparamentação. Até o momento, a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) convocou temporariamente 111 profissionais para atuação no enfrentamento à doença, sendo: 55 técnicos em enfermagem; 20 enfermeiros; 20 fisioterapeutas; e 16 médicos.

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