Quarentena atrapalha o sono dos moradores de Niterói

Insônia e pesadelos na pandemia Por Melina Amaral Dr. Marcus Tulius Silva, neurologista A crise global causada pelo novo coronavírus vem tirando, literalmente, o sono de boa parte da população. Por isso, o A Seguir: Niterói conversou com o neurologista Marcus Tulius Silva, doutor pela Universidade Federal Fluminense (UFF) e mestre pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e médico do Complexo Hospitalar de Niterói (CHN), sobre questões que envolvem esse tema. A Seguir: A pandemia do SARS-CoV-2 vem impactando de diversas formas a vida das pessoas e, consequentemente, alterando a rotina de sono. Que tipos de distúrbios estão sendo observados com mais frequência neste período? Marcus Tulius Silva: A qualidade do sono está intimamente relacionada com nosso humor. Assim, frente a esta pandemia, com o medo iminente do adoecimento, do desemprego e do sentimento de solidão, são comuns as queixas de depressão e transtorno de ansiedade, dois transtornos do humor que afetam o nosso sono. A insônia, sem dúvida, tenderá a ter sua frequência aumentada na população, nesta fase atual, trazendo todos os problemas a ela relacionados, tais como sonolência diurna, irritabilidade e baixa produtividade. Há um perfil específico de público mais afetado por esses distúrbios? Acredito que os idosos, aqueles de vivem sozinhos e aqueles que estão na linha de frente de combate à pandemia sejam os mais afetados. Relatos de pesadelos também têm sido muito frequentes. A longa exposição às telas e o contato excessivo com informações relacionadas à pandemia podem intensificar esse tipo de sonho? Sem dúvida, o reforço ad nauseam da tragédia, com as pessoas conectadas através de todas as mídias possíveis, 24 horas ao dia, está por trás sim disto. Qual o número mínimo de horas recomendadas para se dormir durante a noite? Isso é altamente variável de pessoa a pessoa, mas em média o que a maioria dos estudos mostra é de 7h a 8h por dia, para um adulto normal. Quais as principais consequências que a privação do sono pode trazer para o organismo? A atenção deve ser maior neste período de quarentena? Sobrepeso/obesidade, irritabilidade, ansiedade, depressão, cefaleia, baixa produtividade, risco aumentado para acidentes de trânsito, alcoolismo e dependência de outras drogas lícitas e ilícitas são as principais. A falta de atividades físicas, decorrente do isolamento social, também pode contribuir para noites mal dormidas? Sem dúvida alguma. Cochilos durante o dia podem atrapalhar o sono noturno? Podem ser até muito benéficos, mas não podem passar de 30 a 40 minutos. Em contrapartida, o sono em excesso também pode ser prejudicial? E quais as consequências? Sono em excesso deve levantar a possibilidade de algum transtorno associado, tais como depressão, hipotireoidismo e até mesmo apneia do sono. No que diz respeito às crianças e aos adolescentes, as orientações relacionadas ao sono são as mesmas? Crianças e adolescentes têm uma necessidade fisiológica maior de sono, podendo chegar até 10h ou 12h por dia. Quais as principais recomendações para uma boa noite de sono? O que chamamos de higiene do sono: ir para a cama e nos levantar sempre nas mesmas horas, o máximo possível; evitar alimentar-se muito no período noturno, preferindo comidas leves de fácil digestão; evitar bebida alcoólica; evitar computador ou tela de celular além das 21h; e evitar praticar esportes no período noturno. Ao deitar na cama, se não conseguir pegar no sono nos primeiros 40 minutos, acenda um abajur e leia um livro ou revista, nada que excite demais. O ideal é não termos ou não ligarmos a TV do quarto. Jamais alimente-se na cama se perder o sono; temos que restabelecer a relação do quarto e da nossa cama com o ato de dormir, e não com noites de insônia vendo séries e comendo pipoca. Veja também o depoimento da psicanalista Andrea Ladislau, sobre o excesso de atividades durante a quarentena. Clique aqui.

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