Quem ganha e quem perde na eleição em Niterói

Prefeito Rodrigo Neves é o grande vencedor; Felipe Peixoto e direita bolsonarista amargam derrota na cidade Por Silvia Fonseca Nem Rodrigo Neves, duas vezes Prefeito de Niterói, conseguiu se eleger em primeiro turno. Mas agora ele leva o aliado Axel Grael, hoje no PDT, a garantir uma vitória incontestável neste 15 de novembro. Foi um ano e uma eleição atípicos em todos os sentidos por causa da tragédia da pandemia de Covid-19. Mas em meio a ela Rodrigo Neves recuperou sua imagem, após a prisão em 2018, ao comandar o enfrentamento ao coronavírus em Niterói. É o grande vencedor destas eleições na cidade. De outro lado, perderam os bolsonaristas, incluindo os aliados mais aguerridos do presidente Bolsonaro, comandados em Niterói pelo Deputado Federal Carlos Jordy (PSL) e seu candidato derrotado a Prefeito, Allan Lyra (PTC). Estes passaram a campanha eleitoral inteira andando pelas ruas sem máscara, num gesto pensado de negar a pandemia e colar a imagem na de Bolsonaro, que saíra vencedor nos dois turnos da eleição presidencial de 2018 em Niterói. Desta vez foi diferente. Perderam diante da força que Bolsonaro mostrara na cidade em 2016. Mas, embora derrotado, Jordy mostrou força ao levar o inteiramente desconhecido Lyra ao terceiro lugar. O jogo zerou e a eleição municipal recuperou uma tradição niteroiense de mais de 30 anos, em que esquerda ou centro-esquerda sai vencedora das urnas nas disputas pela Prefeitura. Veja quem ganha e quem perde com a vitória de Axel Grael neste domingo: RODRIGO NEVES: O atual prefeito, eleito pelo PV em 2012 e reeleito em 2016 pelo PDT, é o grande vitorioso desta eleição. Apesar de ter ficado três meses preso de 2018 para 2019 sob a acusação de receber caixa dois de empresas de ônibus, conseguiu eleger seu candidato no primeiro turno. A atuação da Prefeitura para enfrentar a pandemia de Covid desde março deste ano ajudou Rodrigo Neves a melhorar sua imagem e a concluir o mandato com alto índice de aprovação. Deixará como sucessor o seu escolhido, seu vice-prefeito no primeiro mandato e depois Secretário, fiel aliado nos últimos anos. Embora não admita, Neves se credencia para tentar disputar o Governo do Estado em 2022. AXEL GRAEL: Ex-vice-prefeito e Secretário de Rodrigo Neves, foi escolhido por ele para ser o candidato e conseguiu passar para o eleitorado a confiança de que fará um governo de continuidade, com avanços, como repetiu durante toda a campanha. FLÁVIO SERAFINI: O Deputado estadual e candidato derrotado do PSOL a Prefeito perdeu a eleição mas saiu maior desta disputa em Niterói: com muito menos recursos, menos candidatos a vereador e menos partidos na coligação majoritária, conseguiu crescer e aparecer, chegando em segundo lugar. Além disso, ajudou o PSOL a fazer uma bancada mais forte na Câmara de Vereadores, levando nomes do partido à lista de campeões de votos na cidade. CARLOS JORDY: O Deputado bolsonarista perdeu duas vezes, mas também mostrou força: não conseguiu a legenda do PSL para ser ele próprio o candidato a Prefeito. O PSL lançou Deuler da Rocha, também derrotado neste domingo. Jordy então lançou o desconhecido Allan Lyra, "terrivelmente conservador", como ele mesmo se definiu, que ficou na lanterna, apesar de Jordy ter trazido até um dos filhos de Bolsonaro, o deputado Eduardo Bolsonaro, para tentar alavancar Lyra. Não adiantou. Mas Allan Lyra, do PTC, se saiu melhor que o delegado Deuler da Rocha. O racha bolsonarista não foi, porém, o principal fator da derrota dos dois grupos. Eleição municipal é outra realidade, e o bolsonarismo sem dúvida sai muito mais fraco das urnas em Niterói neste 2020. FELIPE PEIXOTO: O ex-deputado já disputou e perdeu três vezes a eleição para Prefeito de Niterói. Duas vezes foi ao segundo turno (2012 e 2016) e saiu derrotado por Rodrigo Neves. Agora, perde para Axel Grael. Esta terceira derrota agora mostra cansaço do eleitor com seu nome e desgaste com a passagem pelo calamitoso governo de Pezão no Estado do Rio. Além disso, Peixoto mudou de campo, saindo da esquerda trabalhista para a centro-direita. Se aliou ao vereador Bruno Lessa, do DEM, que nada acrescentou à chapa em termos de votos. A chapa ficou ali, nem esquerda, nem direita, nem centro, muito pelo contrário. Fez uma campanha morna e amarga um resultado muito ruim para quem já foi ao segundo turno pelo mesmo cargo duas vezes.

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