Reserva Cultural planeja retorno com cautela em Niterói

Sócios do complexo cultural, Jean e Laure entendem que a experiência de ir ao cinema será diferente depois da pandemia por Suzy Silva Jean e Laure estudam como melhorar a experiência de ir ao cinema, quando houver segurança para reabrir as salas O maior complexo cultural de Niterói, o Reserva, está fechado desde março por causa da pandemia. Mas os sócios do lugar, Jean Thomas Bernardini e Laure Bacqué, não param de pensar um minuto sobre o futuro do cinema. Apesar das perdas, questionam a flexibilização do isolamento social, no momento que os casos da doença ainda estão crescendo. Só consideram abrir quando se sentirem prontos e seguros. Com produções interrompidas, estreias remarcadas e as salas de cinema fechadas, o momento reacende a discussão sobre o futuro do cinema. Pela primeira vez na história, o Brasil passou a registrar faturamento zero de bilheteria. No Reserva, não foi diferente. Com os cinemas e demais operações fechadas desde meados de março, o complexo sofre o forte impacto financeiro, e vem trabalhando no sentido de criar novas formas de entretenimento e preparar o espaço com segurança para receber o público. No entanto, a direção do Reserva não pensa em relaxar o isolamento social, muito menos reabrir as salas de cinema neste momento. - Hoje a nossa principal preocupação é como salvar os nossos espaços, preservar o bem-estar e a saúde dos nossos funcionários e clientes e, logicamente, evitar um fechamento definitivo. Por esse motivo, estamos estudando tudo com muita cautela, empenhados em avaliar as adaptações necessárias e criar novas maneiras de proporcionar momentos prazerosos nesse espaço que, desde a inauguração, tem sido de encontro, cultura e vida – diz Jean. Segundo ele, no cenário atual, o segmento de cultura e entretenimento, deve agir com responsabilidade e promover atividades que respeitem o protocolo de distanciamento e não represente risco para os frequentadores. O Reserva Cultural entrou em cartaz na cidade de Niterói em 2016. Espaço idealizado por Oscar Niemeyer possui cinco salas de cinema, sete lojas que abrigam restaurante, pizzaria, hamburgueria, bombonière, livraria, galeria de arte, uma ampla área de convivência, que funcionava com uma intensa agenda de eventos, além de um estacionamento de 1.800m². Tudo fechado, embora a Mística Pizza, a Drop Burger e a Blooks Livraria mantenham serviço de entregas. Um prejuízo incalculável e irrecuperável. Mesmo assim, a dupla de franceses, Jean Thomas e Laure Bacqué, imbuídos da máxima nacional, “brasileiro não desiste jamais”, também não pensa em entregar os pontos. Mas estão preocupados com o futuro do segmento. Em Niterói ainda contam com um espaço muito propício para receber o público com o devido distanciamento, ambientes abertos e arejados, mas na unidade do Reserva Cultural na avenida Paulista, em São Paulo, as instalações sofrerão mais com as exigências dos novos protocolos para funcionamento. - Estamos aguardando informações complementares sobre as regras para a reabertura, mas, observando as orientações da OMS e as práticas adotadas nos países que iniciaram o desconfinamento, já conseguimos avaliar o tamanho do desafio. Desde o início desta horrível pandemia, a minha visão a esse respeito vem mudando. As salas vão ter que se adaptar a esse “novo normal” e como depende de frequência de espectadores, da qualidade dos filmes estreando, da concorrência do streaming dentre outras variáveis, não é uma decisão tão simples. Os protocolos de segurança adotados vão exigir muito investimento financeiro, principalmente para as salas de cinema: manter uma capacidade de 35%; recomendar uso de máscaras dentro da sala; equipe de limpeza reforçada...além da dúvida, será que teremos público nesse momento? Por isso é importante avaliar se é hora de reabrir os cinemas – ressalta Jean Thomas. Como o complexo conta com outras operações além do cinema, os frequentadores podem considerar a possibilidade de uma abertura gradual. As áreas dos restaurantes, no térreo, hoje oferecem um grande diferencial competitivo: espaço, segurança, estacionamento próprio e uma excelente circulação de ar. Isso possibilita uma maior mobilidade do público sem que haja aglomeração de pessoas. - Em Niterói, estamos planejando pequenas mudanças que vão agradar bastante os frequentadores do Reserva. Nesta fase pós-pandemia, sem sombra de dúvidas, seremos um dos locais mais privilegiados em relação aos espaços cinematográficos e gastronômicos do Estado do Rio de Janeiro. O ambiente é arejado, com muito espaço ao ar livre, tanto nas áreas de lojas quanto nos restaurantes, o que ajuda a promover a sensação de segurança e tranquilidade dos clientes no interior do nosso espaço – revela Jean. Segundo Laure Bacqué, os esforços agora estão voltados para preparar um ambiente seguro, com muitas novidades, respeitando todos os protocolos e recomendações dos profissionais de saúde. - Tudo está sendo pensado com muito amor e dedicação para que o público possa aproveitar esse espaço que é tão agradável e continuar vivendo boas experiências – complementa Laure. Paralelamente ao planejamento das ações para a reabertura, o Reserva Cultural, assim como muitas empresas, busca renegociar despesas, e aguarda auxílio do governo para o setor. A Ancine, Agência Nacional do Cinema, anunciou que prepara uma linha de crédito emergencial para socorrer a indústria do cinema, mas até agora não apresentou nada de concreto. - Acho que o bom senso deve prevalecer. A Ancine tem consciência da realidade do mercado. Todos os agentes estão em situação dramática e todos deveriam receber ajuda. Para a retomada das atividades, com chances de sucesso para o ramo cinematográfico, essa linha de crédito também precisa considerar a sobrevivência do parque exibidor, principalmente os cinemas de rua, ameaçados sobreviver se não houver investimento dos governos. E completa: “Ao contrário do que está acontecendo em vários países, tivemos zero de ajuda até o presente momento. Esse apoio deve olhar para a cadeia como um todo, pois não adiantaria liberar verbas para produzir filmes independentes de qualidade se não tivermos salas abertas no Brasil para exibi-los”. Para manter alguma receita nesse período e honrar a folha de pagamentos, o empresário tem investido em diferentes frentes. Através da Imovision, sua distribuidora de filmes, que completou 30 anos em 2019, reiniciou a produção de seus filmes em mídias físicas, resgatando um pedido antigo dos cinéfilos e colecionadores. Os DVDs voltaram com força total nesse período e estão sendo comercializados em uma loja online. A distribuidora possui um catálogo amplo, inclusive títulos inéditos, disponíveis em DVD e Blu-ray. Não faltam filmes premiados e obras de diretores consagrados de diversos países. - Já fazia algum tempo que estávamos pensando em voltar com os DVDs, mas o mercado estava desaquecido, no entanto, agora a situação mudou. O isolamento social obrigou os brasileiros a ficarem em suas casas, então entendemos que era o momento. Tem sido muito gratificante saber que conseguimos dar uma oportunidade de lazer para os cinéfilos manterem contato cinema – conta Jean. Na impossibilidade de promover a experiência de imersão completa aos cinéfilos (sala escura, com uma excelente qualidade de imagem e som, e o conforto dos assentos) outra atividade a ser considerada, que nos remete a um passado ainda mais distante, é o retorno dos drive-in. Mas essa opção de lazer ainda em fase de análise. - Já recebemos algumas propostas para a abertura de um drive-in, inclusive com a marca do Reserva. Mas antes de tudo, precisamos estudar o espaço, forma de ocupação, tempo de duração e avaliar se vale a pena o investimento – afirma Laure. Enquanto nos bastidores a equipe do Reserva Cultural planeja a retomada segura, o público saudoso não vê a hora de reocupar o seu papel de protagonistas no espaço. Mesmo sem data prevista para a reestreia, todos esperam um sucesso de público e crítica. É claro, reservando o devido espaço. Serviço, delivery: Mística Pizza – 21 96774 0363 Livraria Blooks - 21 97324 3960 Drop Burger - 21 97645 8978

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