Respeito aos horários

Niterói tem mais jovens contaminados com Covid, mas idosos são as maiores vítimas. Isolamento e respeito a horários exclusivos são fundamentais Por Silvia Fonseca Idosa passa em frente a uma padaria em Icaraí. Foto: Gustavo Stephan O casal de aposentados Nazir Ferreira de Souza, de 83 anos, e Maria do Carmo de Souza, de 76, deixou o Hospital Municipal Carlos Tortelly, em abril, aplaudido por emocionadas equipes de profissionais de saúde. Não menos felizes estavam os dois, internados juntos 11 dias antes com Covid-19 e muito medo do que estava por vir. Os idosos são as maiores vítimas da pandemia. O fato de a maioria dos óbitos por coronavírus em Niterói ser registrada no grupo de faixa etária acima de 60 anos não significa, porém, que eles não se recuperem. Nesta segunda-feira, dona Léa, de 98 anos, teve alta da Clínica São Gonçalo, onde estava internada com Covid-19. Ao deixar o hospital ao lado da mulher, Nazir festejou a volta para casa, no Caramujo, em Niterói. - Hoje é só felicidade e vitória. Estou muito satisfeito de voltar para casa com minha esposa. Eu não tenho palavras sobre a equipe do hospital. Eles são indispensáveis - disse ele, se referindo ao Carlos Tortelly, uma das quatro unidades de referência no combate ao Covid na cidade. Niterói já tem casos confirmados de Covid em praticamente todas as regiões da cidade, o que exige atenção redobrada da população e das autoridades sanitárias. Apesar da disseminação da doença por todo o município, porém, quase metade dos casos confirmados foram registrados em apenas quatro bairros: Icaraí, Fonseca, Santa Rosa e Barreto. Também chama a atenção o fato de que a grande maioria dos infectados é jovem, mas são os idosos que mais morrem de Covid-19. A dolorosa realidade é mostrada pelos números sobre a pandemia. Com base no levantamento feito no último dia 8 - a prefeitura não tem atualizado mais os dados por bairros e idade no site do Sigeo -, mais de 75% dos infectados tinham menos de 60 anos. E apenas 25% tinham acima de 60 anos de idade. A maioria dos óbitos foi de pessoas idosas. Um homem de 69 anos foi a primeira vítima da Covid em Niterói. Foi também a primeira morte registrada pelo coronavírus no Estado do Rio. Com doenças preexistentes, que o incluíam no grupo de risco, ele morreu no dia 17 de março, seis dias depois de apresentar os primeiros sintomas. Segundo o hospital onde o paciente morreu, ele tivera contato com o enteado, que acabara de chegar de Nova York com exame positivo para Covid-19. Em uma de suas lives nas redes sociais da prefeitura, o prefeito Rodrigo Neves já chamava a atenção para a inversão dos percentuais sobre contaminação e óbitos em relação à faixa etária, além da necessidade de isolamento. - Queria ressaltar que 75% dos casos confirmados em Niterói são de pessoas de até 59 anos. E 25% são de pessoas de 60 a 90 anos. Entretanto, quando verificamos o registro de óbitos, temos uma inversão desses registros e confirmações. São 75% dos óbitos de pessoas acima de 60 anos e 25% de óbitos de pessoas abaixo de 60 anos - disse o prefeito. Para proteger os idosos, é importante que os mais novos respeitem os horários destinados exclusivamente a eles em serviços essenciais e até nas caminhadas na orla. Desde que foi autorizada a volta das atividades físicas individuais nas praias, há horários exclusivos para maiores de 60 anos, mas pouca gente respeita. Pelo decreto da prefeitura, quem tem até 60 anos pode fazer atividades físicas das 6h às 9h e das 16h às 22h. Já o período de 9h às 11h é exclusivo para quem tem mais de 60 de idade.

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