Restaurantes de Niterói só vão reabrir com novos serviços e cuidados na pandemia

Data ainda não foi marcada, mas haverá menus digitais e mais distância entre as mesas Por Carolina Ribeiro Funcionário do Noi: novos serviços após pandemia. Foto: Divulgação O chef Daniel Holanda, do Olimpo. Foto: Divulgação/Evelen Gouvêa Ainda não há data para a abertura de bares e restaurantes de Niterói, mas uma coisa é certa: por muito tempo nada será como antes da pandemia de Covid-19. O cardápio digital vai se tornar uma realidade, por exemplo, nos restaurantes do Grupo Noi, que inclui a cervejaria e os restaurantes Buzin e Ativa. A opção já era utilizada na carta de vinhos, mas será estendida a todo o menu para garantir a segurança dos clientes e funcionários quando for permitida a reabertura das casas. Outras medidas como disponibilizar álcool em gel, reforçar a higienização e distanciar as mesas também já estão sendo organizadas. - Ainda não sabemos quando abrir ou como serão as regras, mas algumas normas são essenciais. O cardápio digital, por exemplo, é uma iniciativa que deve continuar no mercado, pois oferece facilidade para o cliente, que poderá ter em seu celular todas as opções, e gera economia já que o menu físico não é barato - adianta Bianca Buzin, diretora de marketing e vendas do grupo. Apesar de ainda aguardar os protocolos oficiais, os empresários já estudam os treinamentos dos funcionários sobre os cuidados necessários. Bianca ressalta ainda que o Grupo Noi está se preparando para uma retomada lenta do setor gastronômico, principalmente por conta das delimitações de ocupação do restaurante, o que também diminui a arrecadação. - A pandemia também trouxe uma nova forma de ouvir os clientes. As redes sociais estão sendo muito utilizadas neste momento e estamos recebendo muito feedback por lá - finaliza. Os donos da Famiglia da Carmine, uma das referências da gastronomia italiana em Niterói, já estavam atentos à realidade de seus familiares na Itália. Decidiram, então, antecipar o fechamento dos restaurantes (Da Carmine e Emporio del Gusto) por prevenção ao coronavírus ainda no início de março, mesmo com o impacto econômico que isso geraria. Sócia do grupo e esposa do chef Bruno Marasco - também sócio do estabelecimento ao lado do irmão Carmine -, Suzanne Iervolino diz que a família nunca imaginou uma crise desta proporção nos 20 anos de história do empreendimento. Mesmo com o sistema de delivery, que foi intensificado durante a pandemia, o impacto no negócio é grande. - Fica muito claro que as atividades não se substituem, mesmo com o aumento da entrega - comenta ela. O grupo informa que está estudando as possibilidades de reabertura para garantir a segurança de seus clientes e funcionários, mas que aguarda a divulgação das regras e protocolos. Uma das estratégias pensadas é a de simplificar o cardápio. - Já sabemos os pratos prediletos de nossos clientes, então provavelmente vamos adotar inicialmente os nossos “best sellers”. Não teremos uma necessidade gigante de tecnologia. Pensamos no acolhimento dos clientes que ficaram por tanto tempo em casa e que vão encontrar no restaurante segurança, mas também felicidade - ressalta Suzanne. Um dos diferenciais do Olimpo, em Charitas, era a vista panorâmica para a Baía de Guanabara e o Rio de Janeiro. Com o restaurante fechado, e a perda de quase 90% da receita, o jeito foi apostar ainda mais no sistema de entregas, que já existia, mas não era o foco do estabelecimento. Para a surpresa do chef e sócio do restaurante, Daniel Holanda, o serviço deu certo. - Nosso negócio foi muito impactado, pois o cliente procura pelo nosso serviço, ambiente agradável, exclusividade e a tranquilidade que apresentamos. Com o delivery, acaba virando uma briga por comida e também por preço. No início foi difícil, mas nos estruturamos bem, fomos recebendo bastante pedidos e estamos conseguindo mitigar bem os prejuízos - contou. Enquanto não podem reabrir, analisam outras experiências e planejam medidas. Um esboço de como ficará o salão com menos mesas na capacidade reduzida já foi feito, assim como o número de funcionários necessários para o atendimento. - Será difícil ter um equilíbrio das contas e saúde financeira com a capacidade de atendimento reduzida pela metade, mas vamos manter o delivery que aprendemos a trabalhar bem e já começamos a ter outras ideias de como levar a experiência do restaurante para a casa dos clientes - adiantou. Transição Ainda é incerta a data em que os bares e restaurantes vão poder reabrir suas portas em Niterói devido à pandemia do coronavírus. Com interpretação dúbia do plano de transição da prefeitura, não é possível determinar ainda se o segmento poderá abrir, com sua capacidade reduzida pela metade, a partir do sinal amarelo, quando o isolamento social é ainda mais flexibilizado, ou apenas no sinal verde - quando for disponibilizada a vacina. Em meio a tanta incerteza, sem previsão ou protocolos de cuidados divulgados pela prefeitura, empresários do setor já se organizam como podem para estarem prontos quando o momento chegar. De um dia para o outro, tudo aquilo que não era considerado essencial foi fechado. Aqueles estabelecimentos que já trabalhavam com sistema de entrega puderam continuar trabalhando, mas com menos funcionários. Os que não funcionavam com delivery correram atrás para implementar e tentar mitigar os impactos da crise. Não há dúvidas, no entanto, de que o retorno financeiro não é o mesmo dos dias normais. Ainda não há dados detalhados sobre como esta crise vai impactar o setor em Niterói, mas a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) estima que, em todo o Estado, cerca de 20% dos estabelecimentos não vão resistir até a retomada. Além disso, mesmo quando puderem reabrir, os negócios devem ficar no vermelho por ainda 6 meses devido às restrições de proteção e a crise financeira dos clientes. A estimativa é que mais 30% quebrem neste processo. A prefeitura de Niterói ainda não divulgou quando os bares e restaurantes poderão reabrir e nem quais serão as regras e protocolos de saúde para este funcionamento. Para não serem surpreendidos no momento de abrir as portas, empresários do setor gastronômico estudam experiências do exterior e de outras cidades do Brasil. Pedro Hermeto, presidente da Abrasel RJ, ensina algumas dicas. - Deve-se ficar atento no contato com o cliente, em situações como o momento de anotar o pedido e manter o distanciamento de mesas e cadeiras. Atenção também no momento de efetuar o pagamento: deve haver uma linha no chão, acentuando a distância entre as pessoas. São condutas novas com as quais devemos nos acostumar nesse momento inicial de retomada dos negócios”, explica. A Abrasel RJ lançou uma cartilha com recomendações da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e da OMS (Organização Mundial da Saúde). O documento gratuito pode ser baixado (no link: https://is.gd/Cartilha_Abrael) e reúne dezenas de dicas sobre orientações para a equipe, para os clientes e adequações das instalações. A cartilha ensina aos empresários, além de disponibilizar álcool em gel 70% para os clientes, a diminuir a capacidade de público com uma separação mínima de 1 metro entre as cadeiras ou 2 metros entre as mesas. Outra dica é sobre o cardápio. A ideia é que o menu seja digital, assim o próprio cliente pode acessar com um QR Code pelo celular. Caso não seja possível, repense um menu físico (como escrito em uma lousa) ou cardápio plastificado, que de para ser higienizado após o uso. Após ser implementado o plano de transição gradual para o novo normal, a cidade entrou no estágio laranja, que permite certa flexibilização para parte do comércio. Os setores estão sendo liberados levando em consideração a importância econômica e o nível de contaminação. Shoppings, comércio varejistas de roupas e acessórios, bares e restaurantes são considerados de alto risco de contágio. Por isso, a maior demora na liberação. O nível amarelo não prevê o retorno dos restaurantes self service. Já os estabelecimentos com serviço a la carte e de prato feito, o plano define o funcionamento com metade dos trabalhadores e o serviço de tele-entrega, além de ter de trabalhar com metade do teto de ocupação. Não está claro, no entanto, se esta ocupação se refere apenas a funcionários ou se já permite a permanência de clientes. A prefeitura de Niterói foi questionada, mas não explicou quando os restaurantes poderão abrir. Em live nas redes sociais nesta semana, o Prefeito Rodrigo Neves informou que, caso a curva de casos continue controlada e os hospitais continuem disponíveis, é possível que Niterói atinja o sinal amarelo a partir da segunda quinzena de junho. O plano de transição gradual para o novo normal funciona com um sistema de cores para identificar estágios de combate ao novo coronavírus. O sistema leva em conta critérios como a taxa de transmissão da Covid-19 na cidade, taxa de letalidade e a retaguarda de leitos. Os estágios têm as cores roxa (situação extremamente grave da pandemia), vermelho (situação muito grave, com restrições de circulação mais rígidas), laranja (atenção máxima – estágio atual) e amarelo (alerta). O sinal verde só deverá ser adotado quando estiver disponível uma vacina contra a Covid-19.

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