Rodrigo Neves sai como grande vencedor da eleição de Niterói

Prefeito uniu PDT e PT e ainda influiu na campanha em São Gonçalo Por Luiz Claudio Latgé O nome não estava na urna, mas o maior vencedor da eleição em Niterói foi o Prefeito Rodrigo Neves. Numa eleição que a pandemia transformou em plebiscito em relação ao governo, ele passa o cargo ao sucessor, Axel Grael, com 62% dos votos da cidade. Na verdade, entrega mais do que isso: um plano de governo, um gestor testado como vice-prefeito e secretário e um acordo político costurado com 15 partidos que confere ao governo uma confortável maioria de 70% na Câmara Municipal. A votação contundente dá ao Prefeito a chance de agarrar a bandeira do trabalhismo, que tem marcas históricas no estado. E que há trinta anos domina a política local, com breves intervalos, desde o primeiro mandato de Jorge Roberto da Silveira. Rodrigo não é um pedetista de origem, começou no PT de 1996 a 2016 e passou pelo PV, em 2016 e 2017. Só entrou no PDT há três anos. Mas empunha a bandeira do partido por direito. Ao comentar o resultado da eleição, lembrou que as administrações trabalhistas de Niterói foram responsáveis pela implantação do Programa Médico de Família no país e a importância do resgate dos CIEPs, um projeto de Brizola e Darcy Ribeiro, entre outros projetos. A gestão de Rodrigo Neves na Prefeitura de Niterói já era bem avaliada pela população antes da pandemia - e por isso foi reeleito. Fez obras importantes, como o túnel de Charitas, a Transoceânica e a urbanização da Região Oceânica, entre outras. Mas a ação durante a pandemia conferiu ao Prefeito um reconhecimento além dos limites da cidade. Niterói reagiu rapidamente à emergência, apoiada na ciência, adotou as medidas de isolamento, investiu na ampliação da capacidade médico-hospitalar com o Hospital Oceânico, comprou testes, se envolveu nas pesquisas pela busca de uma vacina e estabeleceu programas de apoio ao cidadão, a renda mínima, e o socorro às empresas... tudo isto ajudou a construir uma imagem de eficiência. Os adversários alegam que Niterói é uma cidade rica, com um orçamento de R$ 3,6 bilhões e os royalties do petróleo, mas o eleitor depositou seu reconhecimento nas urnas. Rodrigo Neves tem, desta forma, a chance de deixar para trás os problemas com a Justiça. Pelo menos politicamente, já que a questão jurídica tem curso próprio. Chegou a ser preso, por três meses, em 2018, por desvio de dinheiro nos contratos com empresas de ônibus, numa ação que não está encerrada ainda. Poucos políticos que passaram por situação assim tiveram chance de crescer politicamente. Rodrigo ganhou esta chance. Saiu-se bem em Niterói, e mostrou ter poder de fogo para ser atuante na eleição de Maricá e de São Gonçalo. O candidato mais votado na cidade vizinha, Dimas Gadelha, do PT, fez campanha na cidade ao lado de Rodrigo e hoje agradeceu publicamente esta ajuda. Com a campanha mais cara da cidade, ainda se apresentou para pedir apoio à candidata do PDT à prefeitura do Rio de Janeiro, Marta Rocha. Conseguiu algo que a esquerda persegue há muito tempo, unir PT e PDT, num acordo inédito que faz dele uma liderança na Região Metropolitana do Rio- 2, a parte que fica do lado de cá da ponte. Niterói, São Gonçalo, Itaboraí, Maricá, o Leste Fluminense, sustentação do antigo Estado do Rio. Rodrigo Neves deixa a Prefeitura com 44 anos. Disse que vai se dedicar a estudar a gestão de cidades e inovação. Não revela planos. Provavelmente, a esta hora, o PDT deve estar fazendo planos para ele.

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