São Gonçalo pode ter mais mortes por Covid do que registrado

Especialistas atribuem a subnotificação o fato de São Gonçalo ter menos casos e mortes por Covid que Niterói São Gonçalo registra 640 óbitos por Covid-19 no Cartórios de Registro Civil São Gonçalo tem mais do que o dobro da população de Niterói e não fez isolamento social de forma efetiva em todo o município, mas registra menos casos e óbitos por Covid-19 do que Niterói quando analisada a taxa por 100 mil habitantes. Especialistas atribuem a diferença ao fato de que, além de Niterói realizar muitos testes para o coronavírus, o município vizinho pode estar subdiagnosticando e subnotificacando infectados e mortos. - A questão de São Gonçalo é um pouco mais complexa: além de não testar, o acesso à assistência também é deficitário, e isso redunda em subdiagnóstico e subnotificação - explica o diretor do Instituto de Saúde Coletiva da UFF, Aluísio Gomes da Silva Junior. São Gonçalo tem uma população estimada em 1.084.839 milhão de moradores. Até terça-feira (25), foram registrados 12.376 casos e 633 mortes. Considerando-se a taxa da doença por 100 mil habitantes, é um índice de 1.140 no que diz respeito a casos, e 58 quando se fala em mortes. Já as taxas de Niterói são, proporcionalmente, mais altas: 1.990 e 69. A cidade tem população estimada de 513.584 habitantes, registrou 10.225 casos e 356 mortes. Ao mesmo tempo, Niterói já realizou mais de 70 mil testes, sendo um dos municípios que mais testam no Brasil. Já São Gonçalo não divulgou quantos testes foram realizados pela Prefeitura no total, mas diz que realizou, em quatro meses, 42 mil testes em sua unidade de referência. Jackeline Lobato, professora do Departamento de Epidemiologia e Bioestatística do Instituto de Saúde Coletiva da UFF, diz que a baixa testagem do município pode levar à subnotificação, tendo em vista que somente os casos mais graves procuram os serviços de saúde e acabam sendo testados. Mas chama atenção que a taxa de óbitos por 100 mil habitantes seja mais alta em Niterói do que em São Gonçalo. Lobato lembra que, no geral, os óbitos por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) também devem ser levados em consideração durante a pandemia. - É preciso analisar o volume de [óbitos por] causas respiratórias sem especificidade que são computadas, já que sem diagnóstico não há confirmação - complementa o professor Aluísio Gomes da Silva Junior. Neste caso, a plataforma online Cartórios de Registro Civil no Portal da Transparência, administrada pela Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais (Arpen-Brasil), aponta que em 2020 foram registrados em São Gonçalo, entre os dias 16 de março e 25 de agosto, 3.384 óbitos por doenças respiratórias, sendo 640 por Covid-19, 27 por SRAG, 224 por insuficiência respiratória, 467 por pneumonia, 350 por septicemia, 70 por doença indeterminada e mais 1.606 por outras doenças respiratórias. No ano passado, os números eram diferentes. No mesmo período de 2019 foram registrados 2.500 óbitos por doenças respiratórias, sendo 3 por SRAG, 189 por insuficiência respiratória, 413 por pneumonia, 427 por septicemia e mais 1.468 por outras doenças respiratórias. Um crescimento de 35,36%. Mortes por doenças respiratórias cresceu 35,36% entre 2019 e 2020 em São Gonçalo Fonte: Cartórios de Registro Civil Atualmente, a Prefeitura de São Gonçalo classifica o município com risco baixo de contaminação. O índice leva em consideração a ocupação de leitos de UTI e enfermaria dedicados ao Covid-19 na rede pública, taxa de variação de óbitos por semana, taxa de variação de pacientes internados por semana e percentual de casos confirmados por Covid-19 nas duas últimas semanas. A Prefeitura não divulgou os dados detalhados para chegar ao patamar. - Analisando os dados do painel de monitoramento da Secretaria Estadual de Saúde, ainda não observamos redução expressiva no número de casos ou de óbitos. Sempre precisamos levar em conta os atrasos nas notificações. Às vezes podemos ter atraso de mais de duas semanas, o que prejudica muito o acompanhamento da evolução da doença em tempo real - ressaltou a professora Jackeline Lobato, lembrando que a flexibilização do isolamento deve ser planejada. - Para que haja a flexibilização, é necessário um plano elaborado com uma série de indicadores que devem ser levados em consideração. E, ponto fundamental, é que haja uma vigilância epidemiológica muito ativa e articulada para que as ações de controle (como testagem de contatos e isolamento de sintomáticos e positivos, entre outras) possam ser efetivadas em tempo hábil - finalizou.

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