Salesianos também já planejam esquema das aulas pós-pandemia

Colégios de Niterói não sabem, porém, quando poderão voltar Por Silvia Fonseca Foto: Divulgação Enquanto universidades federais como a do Rio de Janeiro (UFRJ) e a de Minas Gerais (UFMG) anunciam que só deverão retomar as aulas presenciais quando houver uma vacina contra a Covid-19, colégios particulares de Niterói já se preparam para receber os alunos de volta, mesmo sem saber quando isso será possível. É o caso dos Salesianos Niterói, que têm mais de 2 mil alunos de Educação Infantil e Ensinos Fundamental e Médio nas unidades de Santa Rosa e Região Oceânica. Segundo a direção da instituição, a retomada “está em fase de planejamento organizacional cauteloso, a fim de garantir a integridade física, emocional e social de toda a comunidade educativa”. A experiência internacional e o debate interdisciplinar têm sido observados por diversos colégios da cidade, como o GayLussac e o Abel, por exemplo. O mesmo fazem os Salesianos, que dizem estudar protocolos de países que já tiveram essa experiência para estabelecer um planejamento que atenda às suas unidades. “A Associação Nacional das Escolas Católicas (ANEC) também criou uma cartilha com sugestões muito bem fundamentadas, com princípios norteadores do acolhimento necessário a todos os envolvidos no cotidiano escolar, que retornarão com as marcas desse tempo de isolamento”, diz a direção dos Salesianos, acrescentando que a escola contará com a participação de professores, pais e alunos para pôr em prática as recomendações. Uma das grandes preocupações das escolas tem sido com os alunos da alfabetização, que estavam iniciando a vida escolar em março, quando a pandemia começou. Nas escolas públicas, a grande maioria não teve aulas desde então, nem mesmo remotas. Só no fim de maio a prefeitura de Niterói, por exemplo, distribuiu kits escolares para seus alunos. Mas os colégios particulares têm recorrido excepcionalmente ao ensino remoto na pandemia. E mesmo estes admitem que, para os alunos da alfabetização, esse processo é ainda mais complicado. Os Salesianos também sentiram o problema, como outros colégios da cidade, e dizem que a experiência dos professores na condução pedagógica e o envolvimento dos pais foram fundamentais para a adaptação de seus pequenos estudantes às aulas remotas. “São profissionais muito atentos às novas formas de aprender, e hábeis no envolvimento com os pais, que se tornaram grandes parceiros. Isso gerou fluidez no processo e, sobretudo, os primeiros resultados: alunos avançando em seus processos de letramento”, diz a direção da escola. Para alunos da rede pública, que não têm tido aulas remotas em Niterói, o semestre está praticamente perdido em termos de aprendizado para todos os alunos do ensino Fundamental, mas especialmente para as crianças que começariam a ser alfabetizadas em março. A pandemia agrava ainda mais esse problema brasileiro, o da desigualdade no acesso ao ensino. Como o GayLussac, o Abel, o Marly Cury e o Miraflores, entre outros colégios particulares ouvidos pelo A Seguir: Niterói, os Salesianos estão dando aulas remotas para todos os segmentos. Em alguns casos, como o GayLussac e o Abel, esse ensino remoto é realizado no mesmo horário das aulas previsto pelas escolas antes da pandemia e do isolamento social. Ainda não há data fixada para o fim do isolamento social e a volta às aulas presenciais, mas de uma maneira geral a direção das escolas privadas não cogita a anulação do semestre letivo. Além de decretos estadual e municipal, as escolas públicas e privadas aguardam decisões do Conselho Nacional de Educação (CNE) do Ministério da Educação e do Congresso Nacional. O que é certo é que, mesmo sem previsão de volta, a grande maioria dos colégios particulares de Niterói terá novos protocolos de entrada e saída dos alunos, de distribuição dos estudantes em salas de aula, da presença de alunos em pátio, da utilização de cantinas, além de normas de relacionamento e de higienização dos ambientes com fluxos que contemplem todos os ciclos de estudos. Ações pedagógicas para avaliar o aprendizado no período excepcional e a consequente reposição de conteúdo, se necessária, são outras experiências por que passarão os colégios na retomada. Além da recuperação do grande aprendizado que é a convivência, a troca de afetos e de histórias de vida, que a pandemia suspendeu mas não vai tirar para sempre.

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