Supermercados ampliam delivery, vendem mais e contratam pessoal

Pandemia cria novas funções e mais de mil vagas foram abertas no Estado do Rio Por Carolina Ribeiro Fábio Queiróz é presidente da Associação de Supermercados do Estado do Rio de Janeiro (Asserj). Foto: Divulgação Serviço considerado essencial, os supermercados não tiveram que fechar durante a pandemia de Covid-19, mas precisaram se adequar às regras de distanciamento social e sanitização. A principal mudança, porém, foi a adaptação dos supermercados ao delivery. Fábio Queiróz, presidente da Associação de Supermercados do Estado do Rio de Janeiro (Asserj), diz que até mesmo os pequenos negócios adotaram o sistema de entrega, uma vez que o comportamento do consumidor mudou. Além disso, devido à maior procura por alimentação, o setor foi um dos que mais contrataram durante a pandemia: foram abertas mais de mil vagas somente de 11 de março a 11 de abril. A Seguir: Diversos setores da economia de Niterói, do Rio e do Brasil foram impactados pela pandemia, com muitos negócios fechando as portas. Mas, por ser um serviço essencial, o supermercado continuou aberto. Como o setor foi afetado pela pandemia? Fábio Queiróz: Entre os dias 11 de março e 11 de abril houve um aumento de 21% nas vendas no Estado do Rio, se comparado ao mês de fevereiro. A movimentação nas lojas também teve acréscimo de 2,28% em comparação com fevereiro. O motivo foi a corrida aos supermercados, logo no início da quarentena. Depois, isso se normalizou com a conscientização da população. Nas duas últimas semanas de março, registrou-se uma diminuição na quantidade de pessoas nos supermercados. Alguns fatores que influenciaram essa queda: constantes campanhas de conscientização sobre a Covid-19 divulgadas diariamente pela Asserj, o aumento de pedidos para entrega em casa e a conscientização do consumidor de comprar somente o necessário, reduzindo, com isso, as idas ao supermercado. As redes associadas tiveram um crescimento de 56% nos pedidos de delivery, se comparado com o mês de fevereiro. As vendas pelo e-commerce mais que dobraram no primeiro mês da pandemia, com um aumento de 124% nos pedidos pela internet ou aplicativo da loja. Entre os itens mais procurados pelos consumidores estavam os produtos da cesta básica e os de primeira necessidade, como produtos de higiene e limpeza em geral, alimentos congelados, água mineral, papel higiênico, carne, arroz, óleo, açúcar e leite. Neste primeiro mês de isolamento social, cada cliente comprou, em média, 12 itens, previsto para o momento, em que as pessoas evitavam sair de casa e fazem as compras de uma só vez. Neste período, muito se falou sobre os riscos de ir ao mercado. Muita gente tocando nos produtos, nos carrinhos, pessoas dividindo espaço nas gôndolas… a recomendação das autoridades era pelo delivery. Houve um esforço para adequar e ampliar o sistema de delivery? Até mesmo supermercados de pequeno porte que não tinham nenhum sistema de entrega passaram a fazer o serviço com a pandemia, se adaptaram. Se eu tenho um consumidor que mudou de comportamento, ele é o centro do meu negócio. Eu preciso atender a expectativa dele. Cada vez mais os supermercados irão integrar o físico com o digital, e melhorar a experiência de compra do consumidor. Como foi o período de adequação do setor às regras de distanciamento social e às regras sanitárias? Foi um período difícil de adaptação? Desde o início da quarentena nossa maior preocupação era manter um canal ativo com a população para irmos abastecendo-a de informações diárias sobre o panorama dos supermercados do Rio, a fim de não haver pânico e correria. Fizemos este trabalho arduamente nas primeiras semanas do isolamento, e hoje vemos que isso foi fundamental para manter as pessoas tranquilas. Orientações de proteção e higiene foram amplamente divulgadas pela Asserj como, por exemplo, a ida de apenas uma pessoa da família às lojas, que os idosos não façam as compras, que evitem levar crianças aos supermercados, disponibilizar álcool em gel na entrada dos locais, constante higienização dos carrinhos, suspensão dos serviços de degustação dentro das unidades, aplicação de barreiras de acrílico nos caixas e a sinalização no piso com o distanciamento mínimo entre os clientes na fila. A Asserj produziu também uma cartilha, que foi atualizada constantemente, com instruções focadas nos supermercados e consumidores do setor para que intensifiquem as boas práticas de higiene e ações para evitar aglomerações dentro e fora das unidades. A pandemia ainda não acabou, mas é um trabalho constante para controlar a doença. O que o setor aprendeu com a pandemia? Quais mudanças precisaram ser adotadas durante a pandemia que devem ser mantidas pelos supermercados no futuro? O foco no delivery, por exemplo? A expressão do momento é o “novo normal”. Todos sabem que a vida nunca mais será a mesma depois da pandemia do novo coronavírus. O setor supermercadista, que sobreviveu a este momento, considerado uma das maiores crises da história, tem se reinventado diariamente e adaptado protocolos nunca antes usados. Um período de muito aprendizado e que deixa um grande legado para o varejo, em especial o supermercadista. Definitivamente as compras por delivery e e-commerce vieram para ficar, além das medidas e protocolos de higiene. A Prefeitura de Niterói está fazendo um trabalho conjunto com algumas entidades para retomar a economia de Niterói, prevendo gerar emprego e renda. Grandes redes de supermercado já estão instaladas em Niterói como Guanabara, Mundial, Prezunic, Extra… há espaço ou previsão do setor de crescer mais em Niterói? Com certeza. Como um todo. O setor é um dos poucos que contrataram em meio à pandemia. De acordo com levantamento da Asserj, junto às redes associadas, considerando o período entre os dias 11 de março e 11 de abril, desde o início do isolamento social foram abertas mais de 1.000 vagas nos supermercados fluminenses. Em maio, a Asserj, junto com outras 29 entidades ligadas ao segmento varejista, lançaram a plataforma gratuita Vagas no Varejo. A iniciativa surgiu para divulgar as oportunidades e auxiliar na recolocação de profissionais que tiveram seus empregos afetados devido à pandemia do novo coronavírus. Tivemos mais uma novidade, a criação do Auxiliar de Qualidade em algumas redes. A rotina desse profissional inclui tarefas como verificar a correta higienização de carrinhos e cestas de compras, checar a utilização de EPIs por todos os colaboradores, além de orientar clientes a manter o distanciamento na fila dos checkouts conforme a sinalização de chão.

© 2020. A Seguir Niterói. Todos os direitos reservados. Site por Grazy Eckert e João Marcos Latgé.