Travessa abre em Icaraí em novembro, com planos de atuar como livraria de bairro

Empreendimento vai funcionar na Rua Tavares de Macedo por Livia Figueiredo Projeto da Livraria da Travessa, que será inaugurada em novembro, em Icaraí / Foto: Divulgação Para manter o mercado editorial ativo, as livrarias tiveram que repensar suas estratégias comerciais para entregar ao público uma experiência que ele não encontra no mundo virtual. De olho nessa lacuna de mercado e estimulada por uma carência latente por espaços que valorizem esse convívio social, a Livraria da Travessa vai abrir suas portas no próximo mês na Rua Tavares de Macedo, em Icaraí. Apesar de ser uma grande cadeia, a Travessa preza por um atendimento personalizado que remete às livrarias de bairro. Segundo um dos sócios proprietários, Rui Campos, a ideia é proporcionar um ambiente bem democrático, servindo como uma livraria de bairro. - O pedido que mais ouvíamos dos clientes sempre foi para que abríssemos uma unidade em Niterói. Demos início ao projeto em novembro de 2019 e finalmente podemos contemplar essa ideia. É um namoro antigo e agora estamos atravessando a baía. Por causa da pandemia, tivemos que adiar a abertura para novembro. As livrarias de rua voltaram a ser muito valorizadas, até pela questão do comércio online e do seu grande monopólio. Elas viraram verdadeiros símbolos de resistência – ressalta Rui. A Travessa terá um café, no primeiro andar, aberto para a rua. No segundo, terá um mezanino com poltronas para os clientes se acomodarem de forma confortável e o terceiro andar vai funcionar como um loft. A ideia é que esse último seja um grande auditório aberto para palestras, conferências, aulas e seminários, com conteúdo acadêmico e cultural, se aproximando da UFF. Atualmente a Travessa está presente em diversos bairros do Rio, como Centro, Botafogo, Ipanema, Leblon e Barra. Como reflexo da pandemia, a livraria dobrou o volume de vendas online, que historicamente representava 10% das vendas. A rede Blooks, localizada no complexo Reserva Cultural, no Centro, também passou por reestruturação. Após o sucesso da campanha de benfeitoria, em que foi ultrapassada a meta prevista de arrecadação, a Blooks conseguiu se reerguer para a reabertura da loja física com o apoio dos benfeitores. Segundo Elisa Ventura, proprietária da Blooks, foi surpreendente ter mais de 800 pessoas participando e se mobilizando para manter a livraria. -O resultado da campanha revela a força da Blooks e a empatia que as pessoas têm não só com a livraria, mas para que todos esses espaços culturais fiquem de pé. Esse movimento solidário que tem acontecido na internet, como a campanha do cinema Estação, é um retrato da solidariedade das pessoas em tempos tão difíceis. Isso me deixou muito feliz e me deu um sentido para continuar – conta Elisa. De acordo com ela, de todas as livrarias que reabriram da Blooks – a rede conta também com unidades no Rio e em São Paulo - a de Niterói é a que tem mais movimento, o que mostra a importância da livraria para a cidade. Nesse tempo todo com as portas fechadas, as entregas eram feitas de forma online e uma quantidade expressiva dessas compras era destinada a Niterói. Com a reabertura, o movimento tem crescido cada dia mais. Livraria Blooks, no complexo Reserva Cultural, no Centro/Foto: Divulgação Vista como um espaço de convergência, a livraria se solidifica como um pólo de interação do público com a produção cultural e os temas sociais urgentes. A livraria vista não apenas como um ambiente de vendas de livros, mas também como um local onde as mais diversas pessoas circulam, trocam ideias com autores e participam de debates e eventos. -Eu acho que a livraria tem que ser repensada. Brinco que a última coisa que inventaram na livraria foi o café, há 20 anos. Acho que a tendência é que ela se torne cada vez mais local, com um atendimento personalizado, mais voltado para a comunidade. Acho que as redes tendem a acabar com o tempo, devido à competição com as potências do comércio online. A livraria tem que ser cada vez mais focada no seu público, se consolidando com um espaço cultural, de ponto de encontro, não apenas como um comércio – diz Elisa. A Schöfer Books, comandada por Rodolfo Lacerda, filho do dono da tradicional Gutenberg, também está funcionando regularmente. A livraria procura ao máximo manter o mesmo espírito da Gutenberg, com um acervo de livros que as pessoas costumavam encontrar na livraria e com alguns livreiros já conhecidos pelo público, além do atendimento personalizado. Nos três meses em que esteve fechada, por causa da pandemia, a alternativa foi impulsionar as vendas online. As entregas eram realizadas em diversos pontos da cidade como Icaraí, Santa Rosa, Ingá e São Francisco. - Houve uma melhoria gradativa das vendas conforme a Prefeitura ia liberando. Estamos caminhando para uma normalidade. Como o nosso foco são os livros infantis, tivemos grande procura agora, com a proximidade do Dia das Crianças. Temos feito uma venda bem expressiva pelo nosso canal no whatsapp, onde nos colocamos à disposição do cliente, passando todas as informações solicitadas, tiramos foto, caso seja necessário. A entrega é gratuita em horários específicos nas regiões mais próximas – conta Rodolfo. Pensando nesses novos formatos de consumo da literatura, a livraria firmou uma parceria com a empresa Escriturando, que resultou em um clube do livro voltado para adultos, cujo objetivo é compartilhar impressões sobre uma obra, estimulando o debate e a compreensão como um ato coletivo. Após a leitura, que tem um mês como prazo estipulado, o grupo se encontra virtualmente para discutir sobre a obra. Livraria Schöfer, na Moreira César, em Icaraí / Foto: Divulgação Conectar belas histórias a pessoas é um dos lemas da Schöfer. Segundo Rodolfo, a livraria é espaço fundamental para a cidade, pois permite a troca de conhecimentos, o diálogo, abraçando pessoas de diversos pontos da cidade. - A livraria torna a cidade com espírito, um lugar que as pessoas se sentem confortáveis e estão sempre abertas para um diálogo. Aqui na Schöfer lidamos com pessoas de todos os tipos de pensamento e pontos de vistas. Eu vejo a livraria como um espaço muito importante para os seres humanos se desenvolverem intelectualmente. Como temos um acervo amplo de livros infantis, fico muito grato de ver as crianças tendo um primeiro contato com livros, descobrindo aquele universo e com isso formar novos leitores – conclui Rodolfo.

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