Um casamento em meio à pandemia em Niterói

Marina e Marcel selam união com máscaras e álcool em gel em cartório Por Silvia Fonseca Marcel e Marina ao se casarem no cartório no Niterói Shopping. Foto: Álbum de família Em vez de chuva de arroz, álcool em gel. De máscaras, Marcel Leal, de 29 anos, e Marina Médici, de 24, se casaram ontem num cartório de registro civil no Niterói Shopping, no Centro. A cerimônia durou apenas dez minutos, sem direito à presença das famílias, a cumprimentos e comemorações. Apenas a felicidade dos noivos, mesmo com o medo de contaminação na pandemia de Covid-19, lembrava o clima de um casamento como conhecíamos antes do coronavírus. - Foi muito estranho. A gente estava há dois meses sem sair de casa. Foi estranho ver tanta gente na rua, foi estranho me casar de máscara, foi estranho todo o cuidado com higiene, desinfetar as mãos o tempo todo - conta Marina. O casamento estava marcado inicialmente para 1 de abril, mas teve de ser cancelado porque o isolamento social imposto pela pandemia de Covid fechou também os cartórios de registro civil. Na semana passada, com a flexibilização da quarentena, um funcionário do cartório ligou para o casal e avisou que o casamento poderia acontecer nesta quarta-feira (3). Não deu para escolher data, nem para adiar mais. Marina e Marcel então saíram de casa, no Ingá, e foram para o Niterói Shopping, vestidos de branco, com máscaras e munidos de vidrinhos de álcool em gel e álcool 70. - Chegamos no estacionamento do shopping e fomos pegar o elevador, mas nem todos estavam funcionando. O que chegava estava sempre cheio, e não entrávamos. Tivemos que esperar muito tempo por um elevador vazio - conta o casal. Ao chegar no cartório, havia um cliente apenas e três pessoas trabalhando. Marina e Marcel estavam com duas testemunhas, o irmão e seu companheiro, que moram juntos. Tiveram que restringir o número de testemunhas e não convidar mais ninguém da família. - Achamos que o melhor era concentrar o número de presentes em apenas duas pessoas que moram na mesma casa. Eu não podia chamar minha tia, por exemplo, porque ela já mora em uma terceira casa, convive com outras pessoas, com um bebê, e achamos mais prudente evitar - diz Marina, relatando que teve o mesmo cuidado com a mãe e a avó, que estão no interior do estado. Por que não esperaram a pandemia passar para se casar? Primeiro porque ficaram com medo de o cartório ter de fechar novamente e de novo eles ficarem sem data marcada para registrar a união. Segundo porque planejam se mudar para a Austrália, e a certidão de casamento facilita os trâmites para a concessão do visto para um casal. Marcel trabalha com turismo e Marina é maquiadora. Pelos planos iniciais, a esta altura eles já estariam de malas prontas para a Austrália, mas a viagem também teve de ser adiada. Os preparativos incluíam uma festa quando o casamento estava programado para abril. Desnecessário dizer que festa também não houve nesta quarta-feira nem haverá nos próximos dias ou meses, pois o casal cumpre à risca as recomendações sanitárias de isolamento na pandemia. - Agora a gente não tem mais previsão alguma. Nem para comemorar com famílias e amigos, nem para a viagem, para nada. Mas estamos felizes! - disse Marina.

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