Um país que conheceu a guerra está vencendo a Covid-19

Vietnã não tem uma morte sequer. Qual o caminho para o combate à doença? Por Trajano de Moraes Você acreditaria se alguém dissesse que há um país em desenvolvimento com 95 milhões de habitantes e uma fronteira terrestre de mais de mil quilômetros com a China e nenhuma morte até agora pelo novo coronavírus? Não é pegadinha. O Vietnã, no sudeste asiático, que derrotou uma potência colonial (a França, em 1954) e uma superpotência (os EUA, em 1975) está ganhando a guerra contra a Covid-19. Como? Tudo indica que foi reação rápida e coesão nacional diante do novo inimigo, facilitadas pelo governo autoritário do Partido Comunista. Ninguém deseja um governo desse tipo no Brasil, mas a firme liderança vietnamita contrasta com a desastrosa falta de rumo do governo brasileiro diante da pandemia. Fica uma pulga atrás da orelha sobre as estatísticas oficiais do país. Os 318 casos, sem nenhuma morte até agora, contrastam com os mais de 200 mil casos e 14 mil mortos no Brasil. Fazem inveja a Niterói, que já ultrapassou os 1 mil casos, com mais de 60 óbitos. Mas, segundo o jornal em língua inglesa Vietnam Times, o governo local está usando transparência em suas informações e coibindo rumores e fake news. Já em meados de janeiro as autoridades de Hanói criaram um comitê de crise reunindo ministérios, médicos e cientistas com o objetivo de se antecipar à expansão da Covid-19. Para dar o tom do empenho nacional, no final de janeiro o primeiro-ministro Nguyen Xuan Phuc declarou guerra ao novo coronavírus. “Combater a epidemia é combater o inimigo”, disse ele, citado pelo jornal francês Le Figaro. Desde que foi registrado o primeiro caso, o governo fechou a fronteira com a China e suspendeu o tráfego aéreo com o vizinho. As escolas não reabriram após o Ano Novo lunar, em meados de janeiro. Sem os mesmos recursos de países como a Coreia do Sul e Cingapura, o Vietnã adotou uma estratégia de baixo custo. Ao invés de efetuar testes em massa, concentrou-se no isolamento de pessoas infectadas e na busca de todos com quem tiveram contato. O sistema de controle da população, marca do regime autoritário, facilitou a tarefa. O uso de máscara se tornou obrigatório para todos. O Vietnã foi o primeiro país após a China a fechar uma grande área residencial. Impôs isolamento de 21 dias a Son Loi, uma região ao norte de Hanói onde vivem mais de 10 mil pessoas e onde houve um surto da Covid-19 entre trabalhadores que voltaram de Wuhan, a metrópole chinesa que foi o epicentro do início da epidemia. Diante do sucesso da estratégia, as autoridades começaram a relaxar as medidas restritivas. Jardins de infância e escolas primárias, por exemplo, reabriram em horário reduzido a partir do dia 11, segundo a agência Reuters. Mas vôos internacionais, boates e bares de karaokê continuam proibidos.

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