Vacinas avançam e Niterói deve testar produto chinês

Vacinas avançam e Niterói deve testar produto chinês Prefeitura ainda negocia acordo, apesar de Prefeito ter dito que testagem começaria dia 20 No dia em que o Brasil registrou 80 mil mortes em decorrência do coronavírus, a comunidade científica recebeu de forma “auspiciosa”, os testes realizados por duas vacinas contra a Covid-19. A inglesa, da AstraZeneca, conhecida como vacina de Oxford, e a chinesa, desenvolvida pela Sinovac Biotech, em Wuhan, a cidade onde tudo começou. Hoje existem 123 vacinas em testes, mas as duas estão entre as que mais avançaram, com testagem em laboratório e com humanos. Elas entram agora na fase três, com testagem em grande escala, e, dependendo dos resultados, pode-se ter uma vacina efetiva ainda no início do ano que vem. As duas vacinas serão testadas no Brasil. A vacina de Oxford também será produzida no Brasil, num acordo fechado pelo Governo Federal e conduzido pela Universidade Federal de São Paulo. O plano da empresa, depois de confirmada a eficácia da vacina, é produzir rapidamente 300 milhões de doses da vacina, em diversos países. O Brasil poderá produzir até 30 milhões de doses. A vacina que será testada em Niterói, conforme anúncio do Prefeito Rodrigo Neves, é a vacina chinesa, produzida pelo laboratório Sinovac. O anúncio da prefeitura surpreendeu a Fiocruz, uma vez que não há convênio firmado. E todo o processo dos testes, cerca de 9 mil, no Brasil, passa pela USP e pelo Instituto Butantan. Segundo a Prefeitura, o acordo está sendo finalizado e será anunciado oportunamente. As primeiras doses chegaram ao aeroporto de Cumbica na madrugada desta segunda, 20. Os testes devem começar imediatamente com 890 voluntários do Hospital das Clínicas, em São Paulo. Chegam em São Paulo as doses da vacina chinesa Cinovac A Sinovac usa uma versão do vírus inativado. Não carrega o coronavírus Sars-Cov-2 vivo na solução, o que reduz os riscos deste tipo de imunização. É composta pelo vírus morto ou por partes dele, para garantir que ele não consiga se duplicar no sistema. É o mesmo princípio das vacinas contra a hepatite e a influenza, a gripe comum. A vacina estabelece uma espécie de memória celular capaz de ativar a imunidade de quem é vacinado, quando em contato com o coronavírus ativo, fazendo o corpo produzir resposta imunológica e impedir a ação do vírus. A carga recebida nesta segunda-feira tem 20 mil doses de imunizantes e placebos, proveniente da China. Após a análise no Instituto Butantan, as doses serão distribuídas, de forma escalonada, para 12 centros de pesquisa responsáveis pelo recrutamento, aplicação e acompanhamento dos voluntários a receber a vacina em todo o Brasil. No Estado do Rio de Janeiro, o responsável pelos testes será o Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas, da Fiocruz, segundo o Buntantan. Ainda não há informações oficiais sobre o início dos testes no Rio de Janeiro e nem se serão realizados em Niterói. Testagem Os testes da vacina já poderão começar nesta terça-feira (21) no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, na capital paulista. Esta é a terceira fase de ensaios clínicos para desenvolvimento da vacina. Os pesquisadores vão analisar os voluntários em consultas agendadas a cada duas semanas e os testes serão acompanhados por uma comissão de pesquisadores internacionais. A estimativa é concluir as primeiras análises em até 90 dias. Em caso de sucesso, a vacina será produzida pelo Instituto Butantan a partir do início de 2021, com mais de 120 milhões de doses. De acordo com o governador de São Paulo, se aprovada, as doses serão distribuídas através do Sistema Único de Saúde (SUS) para todo o Brasil. Os testes serão realizados em profissionais de saúde voluntários que estejam trabalhando no atendimento a pacientes com Covid-19, mas que não tenham sido infectados pelo vírus e nem estar participando de outro estudo. Mulheres voluntárias não podem estar grávidas ou planejando uma gravidez nos próximos três meses. O voluntário também não pode ter doenças instáveis ou que precisem de medicações que alterem a resposta imune. O Butantan divulgou ainda um site para que os voluntários se inscrevam para o estudo e saibam se estão ou não dentro dos critérios. A triagem é feita a partir do portal http://www.saopaulo.sp.gov.br/coronavirus/vacina/?nocache. Caso o voluntário se enquadre, será informado sobre o centro de pesquisa que deve procurar. Apesar do nome do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas aparecer no site, ainda não há informações sobre como o voluntário do Rio de Janeiro pode participar dos testes. O imunizante produzido pela empresa chinesa Sinovac Life Science é a segunda fórmula testada no Brasil. A outra é a vacina criada pela AstraZeneca em parceria com a Universidade de Oxford (Reino Unido), que já está sendo testada no Brasil em parceria com a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e O Instituto D'Or, no Rio. O Brasil participa da terceira fase de testagens da vacina. As etapas anteriores em animais e também em seres humanos ocorreram na China. O acordo envolvendo a farmacêutica e o Butantan prevê que a tecnologia da empresa chinesa seja divulgada ao instituto, o que garante a produção local da vacina caso ela seja eficaz contra o vírus. De acordo com o Butantan, serão cerca de 9 mil voluntários para o estudo. Metade dos recrutados receberá duas doses do imunizante num intervalo de 14 dias e a outra metade receberá duas doses de placebo, uma substância com as mesmas características, mas sem os vírus, ou seja, sem efeito. Os voluntários serão monitoradas por meio de exames para verificar se quem tomou a vacina ficou protegido em comparação a quem tomou o placebo.

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