Volta às aulas dependerá da circulação do coronavírus em Niterói

Plano da Prefeitura inclui tratar retorno como estratégia pedagógica também O grande número de pessoas na rua, como na Gavião Peixoto, favorece a circulação do coronavírus. Foto de Gustavo Stephan Embora a Prefeitura já se prepare para autorizar a retomada das aulas presenciais nas escolas públicas e privadas quando Niterói atingir as condições de controle da pandemia, ainda não há uma definição de quando isso se dará. Mesmo que Niterói passe do nível Amarelo-2 para o Amarelo-1, que era previsto para o final de julho e agora foi adiado para o fim de agosto, não é certo que a volta às aulas será autorizada se de fato esse indicativo evoluir. O epidemiologista Rômulo Paes de Sousa, membro do Comitê Científico Consultivo da Prefeitura como representante da Fiocruz, disse ao A Seguir: Niterói que o debate na cidade “implica um grande entendimento entre o setor público e privado, entre os trabalhadores da área da educação e a comunidade que envolve os pais de alunos e os próprios alunos”. Além do entendimento sobre a volta às aulas presenciais, diz o especialista, a retomada também dependerá do nível de circulação do vírus na cidade e no seu entorno. - Há, inclusive, uma discussão muito grande no mundo sobre o papel das crianças na transmissão da doença. É um assunto não resolvido entre a comunidade científica. Primeiro havia uma grande corrente achando que as crianças tinham um papel menor e agora novos estudos estão contestando esse tipo de afirmação. Temos uma situação diversa, pois as crianças maiores têm uma maior possibilidade de adesão a medidas de prevenção, e as crianças menores têm menos disciplina para isso, mas também estamos vendo que os próprios adultos têm dificuldades - diz Paes de Sousa. Niterói já tem um plano de contingência, com protocolos aprovados, para a retomada das aulas presenciais, com medidas sanitárias e inclusive com adaptação do espaço e cuidados extras de higiene. Mas não será só isso, segundo o especialista: - Há também em Niterói um plano para transformar esse retorno em um processo educacional, onde as crianças compreendam o que é a pandemia, quais são os riscos que estão enfrentando, e elas também se transformem em agentes dessa formação correta para as outras crianças e seus familiares. É uma estratégia, portanto, de transformar isso numa iniciativa pedagógica e não simplesmente em ampliar a disciplina na escola. O epidemiologista reforça: - São duas coisas que precisam ser levadas em consideração. Obviamente o momento da pandemia no município (que esta semana está pior do que na semana passada, em grande parte por causa do aumento dos casos no Rio) e também a estratégia eficaz para que as crianças retornem para as aulas de forma segura.

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