Volta às aulas em Niterói: o momento de recuperar o que é fundamental na escola e na vida

Para educadora, temos que aprender a tornar tudo isso menos sofrido Por Branca Serodio Portes Branca Portes, educadora, escritora e coordenadora do Miraflores, em Niterói Volta às aulas? Sim, qual é a novidade? Afinal, os alunos voltam às aulas após as férias, o carnaval, os feriados prolongados... desde que a escola é escola. Qual é então a diferença nessa “nova” volta às aulas? Muita. Muitos e variados desafios batem à porta da escola, exigindo repensar e reinventar o espaço educativo para receber alunos, professores, funcionários e famílias afastados do ambiente escolar por um longo tempo. Tempo esse de dedicar cuidados especiais com a saúde e com a defesa da vida. Cada um na sua casa. Para alimentar o vínculo com a escola e não perder o fluxo com a aprendizagem, durante o afastamento os alunos passaram a receber em seus lares uma visita muito especial. Os professores se deslocaram até lá, levando conhecimentos, afeto e trocas de experiências. Virtualmente, é claro. Agora, está se anunciando a hora de voltar. Voltaremos ao “ninho” com muita expectativa, preocupação, responsabilidade e, principalmente, muito carinho. Acolher é preciso. Novas práticas, atitudes, equipamentos e acessórios farão parte da nova rotina da escola. Ficar distantes uns dos outros (no mínimo 1,5m aponta a segurança sanitária, nada de abraços), não emprestar lápis nem borracha (um costume tão antigo quanto à própria escola), não compartilhar o lanche com o colega (um ato de amor e doação), não brincar de pique no pátio (para onde vai a correria das crianças?), ouvir as vozes do professor, do aluno, do colega distorcidas e abafadas pela máscara (cadê a fala tão importante para a comunicação?). Difícil. Temos que aprender. Vamos aprender e tornar tudo isso menos sofrido, menos doloroso para todos. Mas é hora se perguntar. Houve ganhos? O que foi conquistado nesses tempos? Cuidadosamente e com muita empatia, os educadores vão penetrar no mundo das crianças e dos jovens e descobrir como estão mais independentes e manejando com maestria os recursos tecnológicos, o quanto aproveitaram a convivência mais estreita com os familiares, como estão mais maduros em relação ao atendimento a regras de convivência. O que se perdeu? Algumas lacunas nos conteúdos escolares? É possível, mas temos um longo e precioso tempo pela frente para recuperar o que é fundamental. Afinal, o que vale mesmo, o que fica em cada um de nós para sempre é exatamente isso - o essencial. Na escola e na vida. Branca Serodio Portes é Coordenadora da Associação Educacional Miraflores de Niterói Veja também: Escolas de Niterói preparam a volta às aulas. Abertura pode ser em agosto.

© 2020. A Seguir Niterói. Todos os direitos reservados. Site por Grazy Eckert e João Marcos Latgé.