Volta às aulas em Niterói vai começar pelo Ensino Médio, mas data segue indefinida

Prefeito salientou o aumento das contaminações por coronavírus em adolescentes e falou em protocolos rígidos por Suzana Moura Os alunos menores podem ser os últimos a voltar A volta às aulas em Niterói será de maneira híbrida, gradativa e começando pelo Ensino Médio. Em pronunciamento na noite desta segunda-feira (14), o Prefeito Rodrigo Neves informou que o Comitê Científico e o Gabinete de Crise estão discutindo e debatendo as ações de retomada de forma segura. - Esse fato precisa ser muito bem estudado e já estamos na fase final de conclusão desses estudos em relação à retomada presencial das aulas na cidade. Os pais que não se sentirem seguros de enviar seus filhos terão que ter a opção do ensino a distância e possivelmente vamos optar em voltar começando pelo Ensino Médio, que é a faixa etária onde se tem maior condição de manter os protocolos de segurança - afirmou o prefeito. Rodrigo destacou ainda que é importante salientar o aumento do número de casos confirmados de Covid em adolescentes e que, mesmo com o retorno, todo o protocolo de segurança será avaliado e testado, para que a integridade física das famílias seja preservada. O Prefeito anunciou também o Programa Escola Parceira, que vai garantir às pequenas escolas da cidade um crédito de 6 meses a partir da segunda quinzena de setembro. Será um aporte de recursos, das vagas que estão em aberto na Educação Infantil não obrigatória (de 0 a 3 anos), para manter o emprego dos professores e funcionários e terá vigência de 18 meses. No último domingo (13), uma decisão do Tribunal Regional do Trabalho -TRT da 1ª Região permitiu que os alunos voltem às salas de aula na cidade do Rio de Janeiro. O desembargador Carlos Henrique Chernicharo, do plantão judiciário do órgão, suspendeu a liminar que impedia a retomada prevista em decreto do estado para os ensinos Fundamental e Médio, atendendo ao Sindicato dos Estabelecimentos de Educação Básica do Município do Rio de Janeiro - Sinepe-RJ. É o estado que delibera sobre o funcionamento de escolas dos Ensinos Médio e Fundamental da rede pública e sobre o Fundamental da rede privada. Mas, no caso de Niterói, prevalece o decreto do Prefeito, que suspende as aulas presenciais até 30 de setembro. Procurada, a Prefeitura de Niterói informou que a decisão sobre a volta às aulas está em análise pelo comitê científico de alto nível e pelo gabinete de crise, com base na ciência e nas melhores experiências internacionais. Ela destaca ainda que elaborou um plano de ação para minimizar os efeitos do isolamento social no ano letivo de 2020 com adoção de medidas sanitárias, econômicas e pedagógicas. - O plano de retomada das aulas já está pronto, com os protocolos sanitários definidos, bem como um sistema de vigilância escolar para as escolas públicas e privadas quando for o momento do retorno. Toda a rede, pública e privada, já passou pelo treinamento da prefeitura de acordo com esses protocolos. Quando for determinada a retomada das aulas, já existem planos de ação local prontos, compreendendo a especificidade de cada escola-, pontua nota enviada pela Prefeitura. Nesse clima de incerteza, os pais de alunos em idade escolar seguem sem uma data estimada para o retorno, mas, apesar da dificuldade em conciliar trabalho e atenção aos filhos, a decisão de deixá-los em segurança é maior. Ana Paula Mattos é professora de inglês e está dando aulas on-line desde o início da pandemia, e sua filha de 7 anos, que estuda em uma escola particular no Centro de Niterói, segue em casa. - É lógico que é extremamente estressante trabalhar o dia inteiro com uma criança em casa que requer atenção, cuidados e carinho, pois, além do trabalho, tenho os afazeres domésticos que não param. É muito complicada toda essa indefinição, a cada final de mês o prazo para as aulas on-line dela são prorrogados para mais um mês e sem previsão, e a minha pergunta é: Por que não nos passar um tempo maior e não uma renovação mensal? Minha filha não volta este ano, na verdade não volta enquanto não houver vacina-, diz. O Sindicato das Escolas Particulares (Sinepe-RJ) informou que, como pelo decreto municipal as aulas estão suspensas até 30 de setembro, ainda não têm novas informações. O representante do sindicato de professores particulares (Sinpro), Sérgio, reafirmou que o sindicato não apoia o retorno, principalmente, após o número de casos na cidade ter aumentado na última semana. - O retorno às aulas neste momento é transformar a vida em uma roleta russa. Que garantia temos que uma criança não pegue e assim evite um óbito em sua família? Nenhuma. Estamos em uma pandemia e a volta neste momento não é segura - destaca. Sérgio ressalta ainda que o retorno das aulas vai gerar uma perspectiva pedagógica de medo e insegurança, e o ensino será deficitário. - Uma escola ausente de relações humanas e afetivas não é uma escola. Estamos ao lado da ciência e a ciência não aconselha o retorno. Além disso, no caso de crescimento do número de casos, a saúde pública da cidade que vai sofrer. Precisamos agir em sintonia com os profissionais de saúde-, conclui. A secretaria Estadual de Educação foi procurada, mas não deu retorno.

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